Atomic Heart, o polêmico primogênito da Mundfish, trazido ao mundo pela Focus Entertainment e 4Divinity em 20 de fevereiro de 2023, teve um lançamento… digamos, “memorável”. A reação da maioria dos jogadores foi de um misto de frustração e decepção, com queixas unânimes sobre bugs, quedas de frames e um excesso de diálogos forçados que, muitas vezes, mais atrapalhavam do que envolviam.

Dois anos se passaram. Eis que na Summer Game Fest de 2025, o impensável aconteceu: Atomic Heart 2 foi anunciado com um trailer que nos deixou de queixo caído! Diante de tal revelação, não teve jeito: resolvi dar uma chance a este jogo. Após umas boas 12 horas de campanha, aqui está a minha sincera opinião sobre essa aventura russa cheia de robôs descontrolados.

Créditos: Captura de Tela

A premissa de Atomic Heart nos joga em uma União Soviética utópica, onde a Guerra Fria e o avanço tecnológico atingiu níveis estratosféricos, culminando em uma coexistência quase perfeita entre humanos e robôs, todos conectados por uma rede neural unificada. O que poderia dar errado, certo?

Entramos na pele de Sergey Nechayev, ou como é mais conhecido, P-3 um agente do governo que trabalha diretamente sob a mente brilhante por trás de toda essa tecnologia robótica. De repente, P-3 se vê atirado em um combate caótico contra as próprias máquinas que deveriam servir à humanidade. A premissa é aquela clássica “humanos versus máquinas”, e, para ser franco, a história está longe de ser um divisor de águas. Ela flerta com o genérico por grande parte da jornada, porém, perto do final, entrega alguns plot twists interessantes que conseguem elevar um pouco a barra narrativa, deixando um gostinho de “até que enfim!”.

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Se a história não decola de imediato, a jogabilidade de Atomic Heart é, sem dúvida, seu ponto alto. Simples em sua essência, mas incrivelmente boa e divertida, ela evoca fortes lembranças da aclamada franquia Bioshock.

Você tem a liberdade de lançar habilidades elementais ou psíquicas com uma mão enquanto desfere tiros com sua arma na outra, criando um balé caótico e empolgante. A variedade de poderes é notável: de lançar gelo e choques elétricos a levitar inimigos e até mesmo aprimorar suas armas com diferentes buffs. Some a isso um arsenal diversificado e um sistema de upgrades robusto, e você tem um combate que realmente prende e diverte, permitindo muita experimentação e personalização do seu estilo de combate.

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Os gráficos de Atomic Heart são, inegavelmente, bonitos. O que realmente brilha aqui é a ambientação: os cenários são um show à parte, transportando o jogador para instalações futuristas, laboratórios distópicos e paisagens que exalam o charme (e o perigo) de uma União Soviética alternativa. É o principal fator que sustenta a imersão visual do game.

Contudo, nem tudo são flores no jardim soviético. O principal tropeço visual reside nas expressões faciais dos personagens, que parecem ter ficado presas no passado. Em um jogo com tanta ambição visual, é notável o quão defasadas e datadas elas são, tirando um pouco da credibilidade e emoção dos momentos mais importantes com NPCs.

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Ah, o mundo aberto… Este foi, talvez, o calcanhar de Aquiles da Mundfish e, para muitos, o maior erro do game. A decisão de construir um mapa vasto e interconectado se mostra, em grande parte, totalmente desnecessária e até prejudicial à experiência.

As missões nesse mundo exterior são, em sua maioria, tarefas simples de ir do ponto A ao ponto B. O que torna isso um martírio é a constante e implacável presença de hordas e hordas de inimigos que não param de respawnar a todo momento, especialmente se você for detectado por alguma das onipresentes câmeras espalhadas por cada canto. Isso transforma a exploração em uma cansativa guerra de atrito, quebra o ritmo do jogo e rouba a diversão que o combate principal oferece.

Créditos: Captura de Tela

Se há um departamento onde Atomic Heart atinge a excelência e brilha em sua melhor forma, é na trilha sonora e na dublagem. São simplesmente fantásticas!

A trilha sonora é um show à parte, com músicas que não só são incríveis por si só, mas também apresentam remixes e adaptações geniais de clássicos da União Soviética e do Leste Europeu. Essa fusão cultural e musical adiciona uma personalidade única e inconfundível à experiência, elevando momentos épicos e tensos a outro patamar. E como se não bastasse, o lendário Mick Gordon (o gênio por trás das trilhas de Doom) também deixou sua marca como um dos compositores, o que já diz muito sobre a qualidade sonora.

Quanto à dublagem, não há muito o que dizer além de: altíssima qualidade. Com a participação de grandes nomes da dublagem brasileira, como Raphael Rossatto (conhecido por vozes icônicas como Star-Lord e Ethan Winters) e Marco Antônio Abreu (a voz de Cliff Unger e Boozer), a imersão na versão localizada é impecável, entregando performances convincentes e emocionantes.

Apesar de todas as suas falhas e decisões questionáveis de design, Atomic Heart é, no fundo, um bom jogo. Seus erros, embora notáveis, não desmerecem completamente seus acertos. A jogabilidade é inegavelmente divertida e viciante, e a trilha sonora épica por si só já vale a experiência.

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