A responsabilidade de carregar o nome Ninja Gaiden não é para qualquer um. Quando NINJA GAIDEN: Ragebound foi anunciado, a desconfiança e a empolgação andaram lado a lado. Mas com a The Game Kitchen (a mente por trás do aclamado Blasphemous) no desenvolvimento e a Dotemu (mestre em reviver clássicos) na publicação, a esperança falou mais alto. E para um fã de longa data da franquia, não havia como ser melhor.
Joguei à demo de 30 minutos e posso afirmar: a promessa de unir a essência dos clássicos de 8-bits com a profundidade dos jogos 3D modernos não é apenas marketing. É uma realidade palpável e absurdamente divertida.

O Legado e a Nova Ameaça
A premissa da história já nos fisga de imediato. Com o lendário Ryu Hayabusa em uma jornada nos Estados Unidos, a Vila Hayabusa fica vulnerável. Um portal entre o mundo humano e o demoníaco se abre, e o lar dos ninjas enfrenta uma ameaça sem precedentes.
É aqui que conhecemos nosso protagonista, Kenji Mozu, um jovem ninja treinado pelo próprio Ryu. A demo estabelece um cenário de desespero e urgência. Em um momento crítico, Kenji é forçado a tomar uma decisão impensável: deixar de lado séculos de rivalidade e se fundir com Kumori, uma assassina do clã rival Black Spider, acreditando que a união de suas almas e habilidades é a única forma de salvar o mundo das garras do Lorde Demônio.

Um Quebra-Cabeça de Combate Letal
Se a história prepara o palco, é no gameplay que Ragebound se revela um mestre. A movimentação é um balé preciso: Kenji pula, desliza, escala paredes e ataca com a velocidade que se espera de um ninja do clã Hayabusa. Mas é na sinergia entre os inimigos que a genialidade do combate floresce.
Durante as batalhas, é comum enfrentar um inimigo mais forte e resistente acompanhado por criaturas menores. O segredo está em observar os alvos. Frequentemente, um desses inimigos mais fracos brilhará com uma aura colorida, tornando-se a chave para a vitória. Aqui, o jogo se transforma em um quebra-cabeça de combate em alta velocidade:
- Se a aura for azul, você deve atacar o inimigo com a espada. Ao fazer isso, sua lâmina é instantaneamente carregada com um poder devastador, capaz de abater o inimigo mais forte da área com um único e satisfatório golpe.
- Se a aura for rosa, a estratégia muda. O alvo deve ser atingido com uma kunai. Isso “buffa” seu próximo arremesso, tornando-o letal o suficiente para resolver o problema maior.
Essa mecânica é brilhante. Ela impede que o jogador simplesmente esmague botões. Cada encontro exige uma leitura rápida do campo de batalha, a identificação do alvo prioritário e a execução correta para desencadear um efeito dominó. É uma dança mortal de risco e recompensa que eleva o combate a um patamar muito mais estratégico e profundo.

Arte que Honra o Passado
Visualmente, o trabalho da The Game Kitchen é de encher os olhos. O jogo presta uma homenagem clara à estética nostálgica da série, mas eleva tudo a um novo patamar com uma pixel art moderna, meticulosamente criada. Cada inimigo e cenário são recriados com um nível de detalhe que seria impossível no passado, tornando cada batalha um verdadeiro espetáculo visual.

Veredito da Demo
Os 30 minutos da demo de NINJA GAIDEN: Ragebound passam voando e deixam um gosto de “quero mais”. A combinação de uma narrativa intrigante com um combate que valoriza a estratégia tanto quanto o reflexo funciona perfeitamente. A The Game Kitchen e a Dotemu parecem ter encontrado a fórmula exata para modernizar um clássico sem sacrificar sua alma.
Se esta pequena amostra for uma indicação do que está por vir no jogo completo, estamos diante de um dos mais fortes candidatos a clássico moderno do gênero de ação.





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