A franquia Mafia sempre se destacou por suas narrativas densas e atmosferas imersivas, e Mafia: The Old Country busca honrar essa tradição. Desenvolvido pela Hangar 13, este quarto capítulo nos leva de volta ao início de tudo, a Sicília dos anos 1900, para contar uma história de origem sobre a Cosa Nostra. Após 12 horas de campanha, a conclusão é agridoce: o jogo entrega uma ótima narrativa mas tropeça em uma jogabilidade que parece ter parado no tempo.
Beleza e Brutalidade na Sicília

Visualmente, The Old Country é um espetáculo. A Hangar 13 criou uma Sicília deslumbrante, com mansões opulentas, igrejas imponentes e paisagens rurais que capturam perfeitamente a época. O jogo foi claramente construído em torno de sua narrativa, e isso se reflete na qualidade dos modelos dos personagens. As expressões faciais são de altíssimo nível, e a atenção aos detalhes é impressionante – dos fios soltos em uma roupa à poeira que dança sob a luz de uma janela. A iluminação, em particular, tem um papel fundamental, criando cenas que poderiam facilmente pertencer a um filme.
No entanto, toda essa beleza cobra um preço no PC. Jogando em uma RTX 4070 Ti, a performance se mostrou um grande problema. Mesmo com tecnologias como DLSS e Frame Generation ativadas, as quedas de quadros foram constantes, especialmente em áreas abertas, transformando corridas e momentos de exploração em uma experiência frustrante. Embora eu não tenha encontrado bugs que quebrassem o jogo, a física dos veículos é quase cômica: um simples toque em uma pedra pode enviar seu carro para os ares em uma série de capotamentos, quebrando completamente a imersão.
Uma jogabilidade que não acompanha a história

É na jogabilidade que The Old Country mostra suas maiores fraquezas. O combate segue a fórmula tradicional da série — tiroteio com sistema de cobertura —, mas adiciona um foco renovado no combate com facas, que, infelizmente, não funciona. A sensação é de que a Hangar 13 tentou replicar a agilidade de um jogo da Naughty Dog, mas o resultado é um sistema impreciso e sem peso. Muitas vezes, os golpes não registram o impacto, e os inimigos simplesmente ignoram suas facadas, resultando em uma experiência travada. O sistema de durabilidade das facas e a “visão de instinto”, inspirada em The Last of Us, são adições que não conseguem salvar o combate corpo a corpo de sua mediocridade.
O tiroteio, por sua vez, é apenas funcional. Existe uma boa variedade de armas, mas a sensação ao atirar é genérica e não empolga. O problema é agravado por uma inteligência artificial precária. Inimigos frequentemente andam em linha reta em sua direção sem reagir, e as seções de furtividade são ainda piores, permitindo que você passe ao lado de guardas sem ser notado.
O sistema de progressão, no entanto, é um ponto positivo. Usando os “Dinari” coletados, é possível comprar roupas, carros, armas e até cavalos, o que adiciona uma camada de personalização bem-vinda. Os Amuletos, que funcionam como habilidades passivas, incentivam a exploração, embora os melhores itens possam ser encontrados muito cedo, tornando a busca por novos amuletos menos recompensadora com o tempo.
Uma Obra de Arte Sonora… Pela Metade

O design de som do jogo é um caso de extremos. A dublagem (em inglês) é espetacular. Por ser um jogo narrativo, as vozes são cruciais, e a Hangar 13 acertou em cheio. Cada personagem soa autêntico e marcante, com destaque para Don Torrisi (Johnny Santiago) e o protagonista Enzo (Riccardo Frascari). Os efeitos sonoros também são de altíssima qualidade, imergindo o jogador no ambiente siciliano.
Em contrapartida, a trilha sonora é uma grande decepção. As músicas são genéricas e repetitivas, falhando em criar momentos de impacto, seja na ação ou nos trechos mais calmos. É uma oportunidade perdida de elevar uma história já excelente a um novo patamar emocional.
Uma História que Vale a Pena

Felizmente, a narrativa de Mafia: The Old Country é seu grande trunfo e o principal motivo para jogar. Acompanhamos a jornada de Enzo Favara, um jovem vendido pelo pai para trabalhar como um “carusu” em uma mina de enxofre. Após uma vida de miséria e a perda de um amigo, ele consegue escapar e é acolhido pela família Torrisi, iniciando sua ascensão no crime organizado.
A trama, que envolve poder, lealdade e um romance proibido com a filha do Don, é envolvente e prende o jogador do início ao fim. O desenvolvimento dos personagens é excelente, criando empatia e preocupação genuína com seus destinos. Mesmo que alguns “plot twists” sejam previsíveis, a qualidade da escrita e da atuação sustenta a experiência, entregando uma das excelente história.
Conclusão
Mafia: The Old Country vive um conflito interno. De um lado, temos uma narrativa poderosa, personagens memoráveis e uma direção de arte deslumbrante. Do outro, uma jogabilidade datada, problemas de performance e mecânicas mal executadas que o impedem de alcançar a excelência. Mesmo não sendo um jogo “full price”, seu valor atual é questionável. É uma história que merece ser vivida, mas talvez seja melhor esperar por uma boa promoção e algumas atualizações de otimização.
75 Bom
Pontos Positivos:
- História envolvente e bem escrita
- Personagens memoráveis
- Direção de arte e gráficos de alta qualidade
- Dublagem e efeitos sonoros excelentes
Pontos Negativos:
- Gameplay de combate datado e sem impacto
- Inteligência artificial dos inimigos deixa a desejar
- Trilha sonora genérica e esquecível
- Graves problemas de otimização e performance no PC
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