A espera por Hollow Knight: Silksong se tornou ummeme na indústria dos games. Foram mais de seis anos de silêncio, teorias e uma ansiedade que crescia a cada evento sem um anúncio. Agora, com o jogo finalmente em mãos, a pergunta que ecoava por tanto tempo enfim pode ser respondida: valeu a pena esperar? A resposta é sim. Cada dia de espera valeu a pena.

Silksong é uma prova de amor aos videogames, um projeto feito com uma paixão e um cuidado que transbordam em cada canto da tela, em cada nota da trilha sonora, em cada movimento de Hornet. É, sem a menor dúvida, melhor que seu antecessor em todos os aspectos.

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Visualmente, Silksong é de tirar o fôlego. O estilo de arte sombrio e encantador, desenhado à mão pelo talentoso Ari Gibson, retorna, mas com uma paleta de cores mais vibrante e paisagens ainda mais detalhadas. Se Hallownest era um reino em decadência, Pharloom é um reino em ascensão, e essa diferença é sentida em cada cenário. Dos campos de sinos dourados às profundezas do Bilebrejo, cada área tem uma identidade visual única e acolhedora, que te convida a explorar e se perder em seu mundo.

O design de personagens, NPCs e chefes continua intrigante e detalhado. O jogo é extremamente leve e bem otimizado, rodando perfeitamente em praticamente qualquer PC, sem um único bug ou crash em mais de 50 horas de gameplay.

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É no gameplay que Silksong dá seu maior salto. Jogar com Hornet é uma experiência completamente diferente. Ela é mais rápida, mais acrobática, e seu combate evolui constantemente. As principais novidades são os Brasões e as Ferramentas, que revolucionam a personalização. Os Brasões alteram o moveset de Hornet, mudando seus ataques básicos e até mesmo o clássico “pogo”, enquanto as Ferramentas, que vão de bombas a armadilhas, abrem um leque gigantesco de builds e estratégias. A famosa combinação da mosca mecânica com a bolsa de pólipo, que cria drones venenosos, é apenas um exemplo do quão criativo o sistema pode ser.

A exploração também foi expandida. Habilidades clássicas como o pulo duplo e o dash retornam, mas são as novas, como planar e usar o ferrão como um arpão, que tornam a travessia pelo mapa — que é significativamente maior e mais complexo que o de Hallownest — uma delícia. As vilas, repletas de NPCs carismáticos e com um sistema de “desejos” (side quests), servem como um hub vivo e pulsante no meio do perigo.

A dificuldade é altíssima, talvez até mais desafiadora que a de muitos soulslikes. Áreas como o Bilebrejo, com inimigos implacáveis e plataformas que te punem ao cair, testarão sua paciência. Mas a sensação de superar cada obstáculo é imensamente recompensadora.

O cuidado da Team Cherry com os detalhes é o que eleva o jogo ao status de obra-prima. Formigas que carregam os corpos dos inimigos que você derrota ou sinos arremessados que podem ser rebatidos de volta com a física correta, tudo é muito bem pensado e feito com carinho.

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A trilha sonora de Christopher Larkin é, mais uma vez, fenomenal. Músicas orquestrais com pianos e violinos marcam os momentos épicos, enquanto melodias calmas e aconchegantes te abraçam durante a exploração. A adição de NPCs cantores, como Shakra e Sherma, adiciona ainda mais vida e alma ao mundo.

Mas a maior mudança é que, diferente do Knight, Hornet fala. Ela tem personalidade, reage, expressa intenções. Cada conversa com um NPC agora tem múltiplas falas, o que torna a imersão muito maior. Acompanhar a jornada pessoal de Hornet, e não apenas explorar um reino, muda completamente o tom da narrativa.

A história, embora mais direta que a de seu antecessor, ainda é contada de forma sutil, através de diálogos, da ambientação e da própria exploração. A trama começa com Hornet sendo capturada e levada para Pharloom, um reino corrompido pelas teias da Mãe Tecelã. Após escapar, ela parte em uma jornada para recuperar suas habilidades e desvendar os mistérios deste novo mundo.

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Silksong é estruturado em três atos, e é aqui que o jogo revela sua genialidade final. O terceiro ato é totalmente secreto e opcional, exigindo que o jogador complete uma série de tarefas para ser liberado. Ao acessá-lo, o jogo se expande com novas áreas, novos chefes e um final verdadeiro, em uma clara e brilhante homenagem ao castelo invertido de Castlevania: Symphony of the Night.

Após terminar a campanha, o modo “Alma de Aço” (morte permanente) é liberado, garantindo um fator replay gigantesco para os mais corajosos.

Hollow Knight: Silksong é um daqueles jogos que aparecem poucas vezes em uma geração. É a culminação de anos de dedicação de uma equipe pequena, mas absurdamente talentosa. É um jogo que te desafia, te encanta, te frustra e, no final, te recompensa de uma forma inesquecível. A Team Cherry não apenas cumpriu a promessa que fez há seis anos; ela a superou de todas as maneiras imagináveis. É com certeza um dos melhores jogos do ano.

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Obra-Prima

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