O gênero soulslike está lotado. A cada ano, dezenas de jogos tentam replicar a fórmula da FromSoftware, mas poucos conseguem trazer algo realmente novo para a mesa. É por isso que, quando testei a demo pré-alfa de 40 minutos de Valor Mortis, saí com um sentimento que não tinha há muito tempo: empolgação. Dos mesmos criadores de Ghostrunner, este projeto tem o potencial de ser o “ar fresco” que o gênero precisa.

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A primeira coisa que chama a atenção em Valor Mortis é sua perspectiva. Sim, um soulslike em primeira pessoa. Confesso que, pelos trailers, a ideia me causou uma certa estranheza. Mas, jogando, a imersão é total. O combate é divertido, preciso e brutal. Sentir o parry de um sabre napoleônico, desviar no último segundo e responder com um desmembramento sanguinário é visceral de uma forma que a terceira pessoa raramente consegue capturar.

O arsenal que a demo apresenta é promissor. Começamos com um sabre, mas logo encontramos uma garrucha (uma pistola da época) e até magias de fogo. A mistura de combate corpo a corpo, tiros e feitiços lembra um pouco os jogos da Bethesda, mas com a “pegada” e a dificuldade inconfundível de um souls.

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As mecânicas são familiares para qualquer veterano do gênero, e isso é um elogio. Temos a clássica barra de vida, estamina e magia, um item de cura análogo ao “Estus Flask”, e um sistema de quebra de postura tirado diretamente de Sekiro, que recompensa parries bem executados com a chance de um golpe crítico devastador.

As “almas” coletadas dos inimigos servem para subir de nível nas “lanternas”, que funcionam como as fogueiras da série Souls. Mas aqui encontrei uma das ideias mais inteligentes da demo: após morrer algumas vezes para um chefe, percebi que o jogo me dava um pequeno ganho de XP. É uma mecânica sutil, inspirada em The First Berserker: Khazan, que alivia a frustração do grind sem tirar o peso do desafio. É uma mãozinha, não uma muleta.

Minha única preocupação na demo foi durante a batalha contra o último chefe. Senti uma espécie de “barreira invisível” ao redor dele que me impedia de chegar perto do boss e atrapalhando um pouco o combate corpo a corpo, o que tornou a luta um pouco estranha. É um detalhe pequeno e algo que, por ser uma demo, certamente pode e deve ser ajustado.

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Ambientado na Europa do século XIX durante o período Napoleônico, o mundo de Valor Mortis é desolador. Campos de batalha cheios de corpos, vilarejos queimados e criaturas sobrenaturais criam um clima sombrio e opressor. Feito na Unreal Engine 5, o jogo já está com um visual incrível, especialmente na iluminação. E o mais chocante: a otimização. Em 40 minutos, não tive uma única queda de FPS, stutter, bug ou crash, algo raríssimo para uma build pré-alfa.

Saí da demo de Valor Mortis convencido de que este é um projeto para ficar de olho. A ideia de um soulslike em primeira pessoa, que a princípio parecia estranha, se mostrou incrivelmente imersiva e funcional. O jogo está em boas mãos com os criadores de Ghostrunner, e se o produto final mantiver a qualidade e o polimento desta pequena amostra, temos um forte candidato a um dos grandes do gênero.

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