Confesso que entrei em Gears of War: Reloaded com aquela desconfiança clássica. Nunca tinha jogado nada da franquia e os vídeos que eu via nunca me convenceram. Parecia só mais um shooter genérico. E cara…. como eu estava errado.
Após 5 horas na dificuldade Normal, posso dizer que: Gears of War: Reloaded é MUITO mais do que eu esperava, me fazendo ter vontade de maratonar a franquia inteira.
Unreal Engine 5 fazendo milagres

A The Coalition pegou o jogo original e jogou na Unreal Engine 5, e o resultado é simplesmente impressionante. Gears of War: Reloaded não parece nem um pouco um jogo de 2006 remasterizado.
A iluminação está absurda. As sombras dinâmicas criam uma atmosfera pesada e claustrofóbica que funciona perfeitamente com a proposta do jogo. As texturas têm um nível de detalhe que me fez parar várias vezes só pra admirar o trabalho da equipe. É bonito demais.
E sabe o que é mais surpreendente? A performance. Normalmente, quando vejo “Unreal Engine 5” eu já preparo meu PC pra sofrer. Mas aqui? Rodou estável do início ao fim, sem quedas de FPS, sem stuttering, sem aquele drama todo que a engine costuma trazer. A The Coalition realmente fez o dever de casa de como se fazer uma boa otimização.
Mas nem tudo são flores

Agora, preciso ser sincero: o jogo tem alguns problemas técnicos que, por mais que não quebrem o jogo, incomodam.
Durante minha gameplay, encontrei bugs relativamente comuns: armas flutuando no ar, inimigos fazendo a mesma coisa após morrerem, corpos dando aquele “flick” estranho. São coisas pequenas, daquelas que você até ri na primeira vez. Mas tem um problema maior: a inteligência artificial dos aliados.
Cara, teve momentos frustrantes. Eu precisando desesperadamente de ajuda, e o Dom parado feito uma estátua no meio do nada. Ou pior: eles bloqueando meu caminho em corredores, me prendendo em um canto. Tive que reiniciar checkpoint algumas vezes por causa disso, o que quebra bastante o ritmo.
Serrar Locusts é muito satisfatório

Mas sabe o que compensa tudo? O combate.
Eu não esperava que Gears of War: Reloaded fosse tão gostoso de jogar. Serrar um Locust ao meio com a Lancer, explodir cabeças com a Sniper, ou simplesmente obliterar inimigos com a Gnasher, cada arma tem um peso, um impacto que faz você sentir cada disparo.
O sistema de cobertura funciona perfeitamente. É intuitivo, fluido, e transforma cada tiroteio em um pequeno quebra-cabeça tático: “onde eu me posiciono?”, “quando avanço?”, “será que dá pra flanquear?”. É simples, mas nunca simplista.
A variedade também me surpreendeu. O arsenal é diverso e todas as armas são viáveis e não tem aquela de “ah, só a X presta”. E os inimigos? Cada tipo exige uma abordagem diferente, mantendo o jogo sempre interessante.
Teve até momentos que mudaram completamente o ritmo, como a sequência dos Kryll onde você controla um carro e precisa ficar acendendo luzes pelo caminho. Genial. Não me cansei em nenhum momento das 5 horas de campanha.
Áudio: acertos e tropeços

A trilha sonora é competente. Não vai entrar pra minha playlist do Spotify, mas cumpre o papel: épica quando precisa ser épica, tensa quando a coisa aperta. Funciona.
Agora, a dublagem brasileira? Isso sim merece aplausos.
A Epic Games na época trouxe grandes nomes da dublagem nacional, e o resultado é fenomenal. Cada personagem ganha um carisma absurdo com as vozes em português. Marcus, Dom, Cole, Baird, todos têm personalidade, presença. É o tipo de trabalho que faz você se importar de verdade com aqueles caras.
Os efeitos sonoros também são excelentes. Você sente o peso do Marcus ao correr, ouve o impacto metálico da armadura pesada. Um tiro de Gnasher estourando um inimigo tem um peso sonoro visceral.
Mas tem um problema: a mixagem. Algumas vezes, certos sons ficam desproporcional mente altos, tipo explodir uma cabeça e quase arrancar meus fones. Não é constante, mas quando acontece, incomoda.
Uma história de segunda chance (e monstros subterrâneos)

Gears of War: Reloaded te joga 14 anos depois do “E-Day” — o dia em que uma raça de monstros subterrâneos chamados Locusts emergiram e destruíram a civilização. O mundo está em ruínas, a humanidade à beira da extinção.
Você controla Marcus Fenix, um ex-soldado que foi preso e deixado pra morrer, mas é libertado pelo seu melhor amigo Dominic Santiago. Juntos, vocês e o resto do esquadrão Delta precisam enfrentar a ameaça Locust e salvar o que sobrou da humanidade.
A premissa é simples, mas funciona. O jogo não explica tudo sobre o “E-Day” — deixa mistérios no ar, o que provavelmente será explorado nos próximos títulos da saga (e me deixou com vontade de jogar todos). A narrativa tem um ritmo bom e nunca para o jogo só pra contar história.
O destaque mesmo são os personagens. Todos têm carisma, personalidade, aquele tipo de química que faz você se importar. Quando joguei Space Marine 2 recentemente, senti falta disso, personagens carrancudos sem alma. Aqui, você torce pelo esquadrão Delta.
Ah, e o jogo tem algumas escolhas durante a campanha, mas são mais sobre gameplay do que narrativa, tipo escolher ir pela direita ou esquerda pra completar uma missão. É simples, mas adiciona uma camada legal de rejogabilidade.
Vale a pena?
Gears of War: Reloaded é uma obra-prima de remaster. A The Coalition não só trouxe um clássico de volta, mas trouxe ele melhor, mais bonito, mais fluido, mais moderno.
O combate é visceral e satisfatório, os personagens são carismáticos, a dublagem brasileira é espetacular, e a campanha de 5 horas não tem um minuto de gordura. É direto ao ponto, intenso do início ao fim.
Claro, os bugs de IA incomodam, a mixagem de som tem seus tropeços, e se você espera progressão de personagem ou builds complexas, não vai encontrar aqui. Mas nada disso tira o brilho da experiência.
Se você, como eu, nunca jogou Gears of War, esse é o momento perfeito pra jogar, com o lançamento do E-Day chegando aí.
Agora, se me dão licença, tenho mais Locusts pra serrar.

MUITO BOM
Pontos Positivos:
- Gráficos na Unreal Engine 5 impressionantes
- Combate visceral e extremamente satisfatório
- Personagens carismáticos com dublagem brasileira excelente
- Variedade de armas, inimigos e situações
Pontos Negativos:
- IA dos aliados problemática
- Bugs visuais ocasionais
- Mixagem de som inconsistente




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