Call of Duty: Black Ops 7 é desenvolvido pela Treyarch e Raven Software, trazendo mudanças significativas tanto para o bem quanto para o mal. Após completar a campanha de 4 horas e meia e investir horas consideráveis no multiplayer, posso afirmar que este é um Call of Duty dividido: uma campanha mediana com decisões de design questionáveis, mas um multiplayer que finalmente parece ouvir o que a comunidade pediu há anos.

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Black Ops 7 acompanha uma equipe de operações especiais investigando uma nova ameaça global em 2035, envolvendo uma megacorporação tecnológica misteriosa e uma arma capaz de manipular mentes e emoções. A história segue conspirações, política, tecnologia avançada e elementos psicológicos típicos da série Black Ops, enquanto o time tenta evitar um colapso mundial. O problema é que, desta vez, a execução fica aquém do esperado.

A trama é mediana. Funcional, mas sem os momentos verdadeiramente impactantes que marcaram outros jogos da série. Faltam aqueles set pieces memoráveis, aquelas reviravoltas que tinham em outros jogos da franquia. Há competência técnica na narrativa, mas pouca ousadia ou risco criativo.

Mais problemático ainda: a história não parece combinar totalmente com a identidade da franquia Black Ops. Há uma desconexão entre o que esses jogos representavam narrativamente e o que Black Ops 7 entrega. Jogadores que esperam o tom sombrio, as questões morais complexas e a tensão psicológica dos melhores títulos da série podem sair decepcionados.

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Aqui está a escolha de design mais controversa de Black Ops 7: a campanha é totalmente cooperativa e obrigatoriamente online. Você pode jogá-la sozinho ou com outras pessoas, mas em ambos os casos precisa de conexão com a internet. Não há modo offline. Não há bots para ajudar.

Essa decisão gera situações absurdas. Durante toda a campanha, os personagens conversam entre si constantemente, como se houvesse múltiplos jogadores presentes. Joguei sozinho, e a experiência foi estranha, NPCs falando comigo como se eu fosse parte de um esquadrão cooperativo, mas eu estava completamente sozinho. É uma desconexão narrativa que quebra a imersão repetidamente.

Por que não incluir bots companheiros? Por que forçar conexão online para uma campanha single-player? São perguntas que a Activision e Treyarch precisam responder, porque essas escolhas prejudicam significativamente a experiência solo. A campanha claramente foi projetada para co-op, mas para quem prefere jogar sozinho, a execução deixa muito a desejar.

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Um dos poucos destaques da campanha são os momentos com áreas mais abertas. Em vez da linearidade tradicional de Call of Duty, algumas missões oferecem espaços maiores para explorar, múltiplas abordagens táticas e maior liberdade de escolha em como completar objetivos.

Esses segmentos são genuinamente divertidos e mostram que a Treyarch está experimentando com a fórmula. Você pode optar por uma abordagem furtiva, flanquear inimigos, ou simplesmente entrar atirando. Essa flexibilidade adiciona uma camada de rejogabilidade que missões lineares não oferecem.

Infelizmente, esses momentos são a exceção, não a regra. A maior parte da campanha ainda segue a estrutura tradicional de corredores e sequências roteirizadas. As áreas abertas servem como um vislumbre do que Black Ops 7 poderia ter sido se a Treyarch tivesse abraçado completamente essa direção.

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Se há algo que Call of Duty sempre acerta, é a sensação de atirar. E Black Ops 7 não é exceção. O gunplay é excepcional, cada arma tem peso, recuo satisfatório e feedback tátil que faz cada disparo ser impactante.

As armas são variadas e equilibradas, desde rifles de assalto versáteis até submetralhadoras ágeis e snipers precisos. A customização de armamentos retorna com profundidade satisfatória, permitindo ajustar cada arma ao seu estilo de jogo preferido.

Mesmo com a campanha sendo mediana narrativamente, os tiroteios em si são divertidos. É impossível não se divertir quando a mecânica central é tão polida e responsiva. É essa fundação sólida que mantém a experiência de jogar Black Ops 7 agradável mesmo quando outros aspectos falham.

Créditos: Activision

Se a campanha decepciona, o multiplayer compensa. Black Ops 7 traz mudanças que a comunidade de Call of Duty pede há anos, e o resultado é o modo multiplayer mais satisfatório desde Black Ops 2.

A movimentação ficou mais fluida e responsiva. O slide, que estava excessivamente forte em títulos anteriores, foi finalmente nerfado para um nível equilibrado. Você ainda pode usar, mas não é mais a única técnica viável de movimento. Isso cria um meta mais diversificado onde diferentes estilos de jogo são viáveis.

Mas a mudança mais significativa é a remoção do SBMM (Skill-Based Matchmaking). As partidas são encontradas muito mais rapidamente, e você finalmente pode ficar no mesmo lobby após a partida acabar.

Esse último ponto é crucial. A capacidade de permanecer com os mesmos jogadores entre partidas ressuscita o aspecto social que Call of Duty perdeu nos últimos anos. Você pode fazer amizades, rivalidades, conversar entre partidas. É nostálgico no melhor sentido, isso traz de volta o que fez os primeiros Call of Duty terem comunidades tão engajadas.

Os mapas são bem projetados, com variedade suficiente para acomodar diferentes modos de jogo e estilos. Há equilíbrio entre mapas pequenos e frenéticos e mapas maiores que permitem gameplay mais tático. A progressão de armas e desbloqueáveis mantém o loop de recompensa satisfatório por dezenas de horas.

Para quem compra Call of Duty primariamente pelo multiplayer, Black Ops 7 entrega uma das melhores experiências da franquia em anos.

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A trilha sonora de Black Ops 7 é excelente. Como a campanha percorre diversos países, cada localização tem músicas que combinam perfeitamente com a ambientação cultural. Há atenção aos detalhes na escolha de instrumentos, ritmos e melodias que refletem autenticamente cada região visitada.

A dublagem brasileira merece destaque especial. Guilherme Briggs, dublador que interpreta o protagonista e entrega uma performance de altíssimo nível. Sua voz adiciona peso e carisma ao personagem. O resto do elenco também está à altura, com performances consistentemente boas.

Os efeitos sonoros mantêm o padrão de excelência que esperamos de Call of Duty. Cada arma tem um perfil sonoro distinto e impactante. Explosões, ricochetes, passos, tudo é meticulosamente projetado para imersão auditiva. Com um bom headset, a experiência sonora de Black Ops 7 é de ótimo nivel.

Créditos: Activision

Visualmente, Black Ops 7 é bonito, mas não impressiona. As melhorias gráficas em relação a Black Ops 6 são mínimas, texturas ligeiramente mais detalhadas, iluminação um pouco melhorada.

A engine continua a mesma, e isso se nota. Enquanto outros shooters contemporâneos experimentam com novas tecnologias gráficas, Black Ops 7 se sente seguro e familiar. Funciona, mas poderia ir além.

A performance, no entanto, é impecável. Rodei o jogo em um PC com uma 4070ti e não encontrei uma única queda de FPS, travamento ou bug grave. A otimização está excelente.

Call of Duty: Black Ops 7 é um jogo dividido. A campanha é mediana, prejudicada por decisões de design questionáveis como a obrigatoriedade de conexão online e a estrutura cooperativa mal implementada para quem joga solo. Faltam os momentos memoráveis que definiram os melhores Black Ops.

Mas o multiplayer resgata a experiência. A remoção do SBMM agressivo, a possibilidade de ficar no mesmo lobby, a movimentação aprimorada e o gunplay excelente criam o melhor modo multiplayer de Call of Duty em anos. Para quem vive e respira o competitivo, Black Ops 7 entrega.

A produção audiovisual é de alto nível, com dublagem brasileira excepcional e efeitos sonoros impecáveis. A performance técnica é irrepreensível. Mas graficamente, o jogo não evolui significativamente.

Black Ops 7 é recomendado principalmente para fãs do multiplayer. Se você compra Call of Duty pela campanha, este não é o melhor da série. Mas se você está aqui pelos tiroteios online, pela progressão competitiva e pela comunidade, a Treyarch finalmente ouviu o feedback e entregou o que pedimos.

80

MUITO BOM

Agradeço imensamente à equipe da Theogames e da Activision pela confiança em nosso trabalho e por disponibilizarem uma key para produção desta review.

Confira meu gameplay completo:

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Resposta

  1. Avatar de Lucas

    goty

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