Resident Evil Requiem é o nono capítulo principal da franquia e chega com a missão de unir o survival horror clássico e ação. Historicamente, a série dividiu sua base de fãs entre esses dois estilos, o que gerava um ceticismo natural sobre como essa mistura funcionaria na prática. Após 10 horas de campanha, posso afirmar que a Capcom encontrou o equilíbrio. O jogo extrai os melhores elementos da saga, unindo o backtracking meticuloso ao combate visceral em uma experiência coesa. É, sem dúvidas, um dos grandes destaques de 2026 e prova a maturidade do estúdio com a própria obra.

Resident Evil Requiem Grace
Captura de Tela – RE9

A narrativa tem início com Grace Ashcroft, uma nova personagem e filha de Alyssa Ashcroft (de Resident Evil: Revelations). Atuando como agente do FBI, ela é enviada para investigar um assassinato em um hotel, o mesmo local onde sua mãe foi morta. Ao chegar, Grace é sequestrada por Victor Gideon, um dos principais antagonistas, e levada ao bizarro hospital Rhodes Hill. Então jogamos como o Leon S. Kennedy, protagonista de Resident Evil 2 e 4, que retorna já não mais no auge da juventude e revelado estar infectado com vírus-T enquanto investiga os mesmos assassinatos e persegue Gideon tentando salvar Grace.

Na primeira metade da campanha jogamos predominantemente com Grace tendo apenas momentos pontuais controlando Leon. Na segunda metade essa proporção se inverte com Leon dominando gameplay e Grace aparecendo esporadicamente. Essa alternância é extremamente positiva porque a sensação de passar de sequências tensas com Grace para momentos com mais ação e dinâmicos com Leon cria um alívio e ritmo narrativo que mantém experiência fresca por toda duração.

Grace é uma personagem excelente que eu realmente gostei e tem um potencial enorme para retornos futuros. Embora seja medrosa inicialmente ela supera gradualmente seus medos demonstrando um crescimento ao longo da jornada enquanto mantém humanidade e compaixão. Leon por outro lado não precisa de muita apresentação. É nosso queridinho da franquia e aqui ele evolui ainda mais como personagem. Apesar de ser badass destruindo hordas de infectados ele ainda demonstra compaixão e vulnerabilidade. O jogo oferece dois finais, um ruim e um bom, que são baseados em uma escolha que você vai fazer perto do final.

Devo admitir que esperava mais da história especialmente na parte final onde deveria esclarecer os mistérios estabelecidos mas acaba criando confusões adicionais por ser rushada e não dar tempo adequado para resolver os plots.

Resident evil requiem Leon gameplay
Captura de Tela RE9

O principal diferencial é a dualidade entre Grace e Leon. Enquanto Grace é uma novata que nunca passou por esse tipo de experiência, Leon é um soldado treinado que enfrenta ameaças bioterroristas há décadas. A forma como essa diferença é traduzida mecanicamente é brilhante. Eu joguei a primeira vez com a Grace em primeira pessoa e com o Leon em terceira, como foi recomendado pelo diretor.

A gameplay de Grace e sua exploração remetem fortemente à mistura do backtracking de Resident Evil 2 com o terror e bizarrice de Resident Evil 7. Jogamos a maior parte com ela no hospital Rhodes Hill e toda área foi moldada especificamente pensando em suas limitações. Temos poucos recursos, diversos puzzles, poucas armas e um inventário extremamente limitado. Não estamos controlando um super soldado. Somos fracos e isso é demonstrado constantemente através de mecânicas que forçam conservação de munição e planejamento cuidadoso de rotas. É uma experiência pé no chão que lembra jogos clássicos da franquia quando survival horror significava realmente sobreviver contra todas as probabilidades.

Com Leon temos exatamente o que deveria ser esperado. Diversas armas, golpes corpo a corpo, inventário gigante que permite carregar um arsenal completo e agora temos uma machadinha para finalizações brutais e parrys, além dos golpes clássicos ao desnortear inimigos. Leon é um tanque de guerra nesse jogo e você sente isso quando joga com ele.

A maior parte dele jogamos em Raccoon City já devastada após o míssil que destruiu a cidade em RE3. Os cenários e gameplay lembram muito The Last of Us especialmente a área semi-aberta de TLOU2. Devemos ligar geradores para abrir portões, carros estão destruídos, lojas saqueadas e devastadas, nenhuma alma viva pisa naquele lugar, apenas monstros vagando pelos destroços da civilização. Essa estrutura semi-aberta é extremamente satisfatória de explorar e combinou perfeitamente com a proposta do Leon.

Como mostrado nos trailers oficiais visitamos a delegacia de Racoon. Ver Leon entrando naquele prédio novamente, passando pelos corredores que percorremos décadas atrás, é um sentimento de nostalgia que poucas experiências conseguem entregar. Tudo foi feito com amor e cuidado. A Capcom sabe exatamente da obra que está tratando e respeita seu legado enquanto adiciona novas camadas.

O jogo é extremamente viciante de jogar tanto com Grace quanto Leon, sendo disparado o melhor gameplay da franquia até agora. Tudo é fluido, preciso, responsivo e divertido de formas que títulos anteriores nunca alcançaram completamente. Com Grace podemos coletar anabolizantes para melhorar dano das balas e aumentar vida além de encontrar bolsas que expandem inventário extremamente limitado. Com Leon temos sistema totalmente diferente onde abater inimigos concede pontos usados em loja para comprar novas armas, proteção corporal ou fazer upgrades em nossas armas.

Joguei na dificuldade normal moderna onde não é necessário usar ink ribbons para salvar e achei relativamente fácil. Morri poucas vezes e geralmente passava logo após entender o que deveria fazer. O principal diferencial dos inimigos é que agora alguns zumbis mantêm características de suas vidas normais. Cozinheiro infectado continua cozinhando mesmo após transformação. Faxineira ainda limpa banheiro repetidamente. Essa mudança adiciona camada perturbadora de humanidade perdida que torna encontros mais impactantes. Também há inimigos bizarros como aranhas gigantes e plantas gugabtes criando uma boa variedade geral. Algo que não gostei tanto foi quantidade de bosses. Deveria haver mais encontros memoráveis mas os existentes são todos decentes em design e mecânicas.

GraceTPPerspectiveRE9
Início Grace

Joguei a campanha no PC em resolução 2.5K, com as configurações gráficas no nível alto e o path tracing ativado. Visualmente, é um dos jogos mais impressionantes da geração atual. A chuva densa e volumétrica, o detalhamento minucioso dos personagens e os reflexos realistas nos cenários saltam aos olhos. A iluminação em ambientes escuros, cortada pelos feixes da lanterna, entrega um nível de imersão absurdo.

Utilizando uma RTX 4070 Ti, a performance se manteve muito estável mesmo nas configurações máximas. A RE Engine prova, mais uma vez, ser uma das tecnologias mais competentes da indústria, garantindo visuais de ponta, carregamentos rápidos e uma experiência livre de bugs gráficos durante todas as minhas horas de jogo.

Captura de Tela RE9
Captura de Tela RE9

Se no aspecto visual o jogo beira a perfeição, a trilha sonora deixa um pouco a desejar. Faltam composições marcantes que fiquem na memória, servindo mais como um som ambiente funcional do que como um elemento de destaque.

Em compensação, a dublagem brasileira é espetacular. Stephany Custodi entrega uma Grace perfeita, equilibrando perfeitamente vulnerabilidade e determinação, enquanto Felipe Grinnan brilha mais uma vez ao dar voz ao Leon. O design de som geral é impecável: cada passo, tiro e rangido de porta contribui de forma profunda para a atmosfera de tensão.

Resident Evil Requiem é uma conquista notável que equilibra as duas filosofias que sempre dividiram os fãs da franquia. A dualidade entre o survival horror clássico de Grace e a ação de Leon funciona de forma brilhante, tanto na narrativa quanto nas mecânicas. O retorno a Raccoon City e à clássica delegacia é algo muito único e feito com carinho.

Visualmente deslumbrante e com uma dublagem de excelência, o título tem seus tropeços, como o ritmo acelerado no final da história, a trilha sonora esquecível e a ausência de chefes memoráveis. No entanto, nada disso ofusca o resultado final. Este é Resident Evil em sua melhor forma.

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Obra-Prima

Confira minha gameplay completa do jogo:

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