Quando os primeiros trechos de jogabilidade de Mouse: P.I. For Hire surgiram na internet em 2023, o jogo já havia me conquistado. A promessa era ousada: misturar gráficos em preto e branco inspirados no clássico estilo de animação rubber hose com tiroteios frenéticos em primeira pessoa, tudo embalado por um jazz contagiante. Após três longos anos de espera e muita expectativa, o título de estreia do estúdio polonês Fumi Games, publicado pela PlaySide, finalmente chegou. E a melhor notícia? Lançado com um preço acessível em todas as plataformas, o jogo prova ser muito mais do que apenas um estilo visual deslumbrante. Ele exala a mais pura essência dos videogames.

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Captura de Tela

Apesar de sua estética que remete aos primórdios de Walt Disney e Max Fleischer, o coração de Mouse: P.I. For Hire bate no ritmo de um suspense policial sombrio. A trama nos joga nas ruas chuvosas e moralmente cinzentas de Mouseburg na década de 1930. Você joga como Jack Pepper, um ex-policial amargurado e agora detetive particular, que ganha uma dimensão fantástica graças à incrível dublagem do Troy Baker.

O roteiro surpreende ao não se apoiar inteiramente nos clichês do gênero noir. A cidade está apodrecendo, dominada por corrupção, facções, cultos bizarros e policiais vendidos. No entanto, a forma como a história é contada foge do padrão, curiosamente, a narrativa te coloca mais em uma posição de “espectador interativo. Em vez de você desvendar o mistério antes do detetive, você acompanha e analisa as conclusões de Pepper enquanto a história se desenrola.

A campanha ganha força logo após o tutorial, quando somos apresentados a Wanda, uma jornalista que traz vários casos para nós resolver. Ela traz um novo caso peculiar: investigar o desaparecimento de um famoso mágico da cidade. Esse é o estopim que desencadeia uma série de reviravoltas na história.

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Captura de Tela

Logo nos primeiros minutos, o jogo deixa claro a que veio: combates rápidos, jazz de alta qualidade e muitas balas. O núcleo de Mouse: P.I. é o de um boomer shooter de respeito. A jogabilidade é extremamente rápida e fluida, permitindo esquivas, pulos duplos e até a habilidade de flutuar no ar, que ganhamos ao decorrer do jogo.

O arsenal é um show à parte. Você começa com um revólver básico, passa por uma espingarda clássica e logo chega a bizarrices maravilhosas, como uma arma tóxica que literalmente derrete os inimigos. Além da satisfação de atirar, cada arma possui animações de coleta e recarga tão charmosas que dá vontade de encontrar equipamentos novos só para ver o que a equipe de animação inventou. E não para por aí, a exploração recompensa o jogador com esquemas que permitem adicionar modos de tiro secundários a todas as armas, aprofundando o combate.

Saindo do tiroteio, o jogo adota uma estrutura baseada em missões. Mouseburg funciona como o seu hub central, onde fica o escritório de Pepper e os NPCs com quem você interage para pegar missões principais e secundárias. Para viajar até as fases, você utiliza o seu carro através de um mapa interativo.

O grande charme investigativo acontece ao final de cada missão. De volta ao escritório, você deve reunir as pistas e provas coletadas no cenário e organizá-las no seu quadro de investigações — uma mecânica muito semelhante ao quadro de Alan Wake 2, liberando novas missões para fazer.

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Para um estúdio pequeno, a Fumi Games não economizou nas mecânicas extras. Para quebrar o ritmo frenético de atirar, o jogo apresenta pequenos quebra-cabeças, como um minigame de abrir cofres, onde você precisa usar empurrar todos os pinos para conseguir abrir a fechadura.

Há também um surpreendente jogo de cartas de beisebol. Você pode desafiar adversários para ganhar fichas e melhorar seu baralho comprando novas cartas com lojistas ou encontrando-as escondidas nas fases.

Tudo isso é embalado pela trilha sonora magnífica de Patryk Scelina. Embora o jazz ditado pela época seja o grande destaque, a composição é vasta e passeia por estilos surpreendentes, incluindo ritmos country, melodias mais calmas e acústicas que lembram a leveza de uma MPB, criando atmosferas perfeitas para cada momento.

Joguei a campanha no PC (utilizando uma RTX 4070ti) e a otimização é digna de elogios. O jogo rodou acima de 140 FPS a maior parte do tempo. Houve alguns pequenos bugs pontuais, como inimigos mortes que continuavam parados no cenário, mas nada que tenha quebrado o progresso ou estragado a imersão.

No entanto, o maior tropeço de Mouse: P.I. está no seu ritmo final. Finalizei a campanha em cerca de 13 horas, e a sensação é de que o jogo poderia ser um pouco mais enxuto. Nas horas finais, o combate se torna ligeiramente repetitivo devido à falta de variedade nos inimigos — o jogo passa a reciclar os mesmos oponentes apenas com mudanças visuais, o que acaba cansando um pouco.

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Mouse: P.I. For Hire é uma carta de amor à animação clássica e aos jogos de tiro ágeis. Com um combate viciante, animações cheias de personalidade e uma estrutura de investigação que amarra muito bem a história, a Fumi Games entrega uma experiência sólida e extremamente divertida. Apesar de se estender um pouco mais do que deveria e reciclar alguns inimigos, é um título imperdível para quem busca estilo e ação sem enrolação.

mouse pi for hire review
85

Muito Bom

Agradeço imensamente à equipe da Fumi Games e da PlaySide pela confiança em nosso trabalho e por disponibilizarem uma key para produção desta review.