A Kadokawa, empresa matriz da desenvolvedora FromSoftware, está enfrentando forte pressão interna de seu maior acionista, o fundo de investimento Oasis Management Company, sediado em Hong Kong. Em um documento de mais de 130 páginas intitulado “A Better Kadokawa”, o fundo exige mudanças severas na gestão da empresa, com foco principal na destituição do atual CEO, Takeshi Natsuno, e em uma reformulação nas estratégias de publicação dos jogos do estúdio.

A principal crítica da Oasis gira em torno da dependência da FromSoftware de distribuidoras terceirizadas — como a Bandai Namco Entertainment e a Activision — para o mercado internacional. Enquanto a desenvolvedora autopublica os seus jogos no Japão, a distribuição global fica nas mãos de parceiros. Para o fundo de investimento, isso resulta em um grave “vazamento de lucros”, apontando que, como 90% das vendas de Elden Ring ocorreram no exterior, a Bandai Namco registrou um crescimento de lucro muito superior ao da própria Kadokawa.

Em um trecho do documento, o fundo de investimento destacou que o estúdio não precisa mais depender dessa divisão de riscos:

“Atualmente, o modelo de negócios da FromSoftware é trabalhar com editoras […] que assumem o risco do desenvolvimento de jogos, mas são recompensadas com uma proporção exagerada das receitas. Entendemos que havia um risco substancial de desenvolvimento no passado, mas o risco é significativamente menor agora, após o catálogo de sucessos da FromSoftware. É hora de a FromSoftware assumir os riscos de desenvolvimento e colher as recompensas.”

elden ring
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A Oasis argumenta que, após receber investimentos de gigantes como a Sony, CyberAgent e Tencent nos últimos anos, a Kadokawa levantou capital suficiente para estruturar uma operação de publicação global. No entanto, o CEO Takeshi Natsuno é visto como “cauteloso” demais para realizar a transição, possivelmente porque empresas como a Bandai Namco passaram a oferecer contratos mais favoráveis recentemente.

Até o momento, o conselho de diretores da Kadokawa se opôs à proposta de remoção de Natsuno, classificando as críticas do fundo como infundadas e baseadas em uma má compreensão das circunstâncias reais da empresa. A publicadora japonesa defende que a sua abordagem é avaliar cada propriedade intelectual individualmente para decidir se a publicação será interna ou terceirizada, dependendo dos termos do contrato.