LEGO Batman: The Videogame, do PlayStation 2, sempre foi um jogo muito importante na minha vida. Lembro de jogar com a família, de momentos bons que vivemos juntos em frente à TV, e é um dos principais motivos que me fez amar esse personagem que, mesmo carregando traumas profundos, sempre segue em frente para proteger os outros em busca de justiça.

Depois de mais de 10 anos sem um jogo realmente marcante do personagem, desde o lendário Batman: Arkham Knight, finalizei a campanha de LEGO Batman: O Legado do Cavaleiro das Trevas com cerca de 16 horas e posso dizer com convicção que temos o Lego definitivo do Morcego. É muito melhor do que eu imaginava, e não é apenas o melhor LEGO já criado pela TT Games, é uma carta de amor completa à história do personagem.

História e a Mistura de Eras

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Captura de Tela

A narrativa do jogo é um dos seus pilares mais robustos. Embora reconte a trajetória clássica que todos conhecemos — desde a trágica morte de Thomas e Martha Wayne, a queda no poço dos morcegos, até o treinamento rigoroso com Ra’s al Ghul —, a forma como o roteiro amarra diferentes mídias é brilhante.

O jogo consegue fundir momentos icônicos de várias adaptações com uma naturalidade impressionante. Em um momento, estamos revivendo a perseguição épica ao Pinguim inspirada diretamente no The Batman (2022); no outro, somos jogados em cenas emblemáticas da trilogia do diretor Christopher Nolan, como a icônica e caótica explosão do hospital provocada pelo Coringa. E, para os fãs veteranos, a reta final reserva uma homenagem espetacular ao universo de Arkham Asylum que vai deixar muita gente arrepiada.

O tratamento dado aos vilões é outro acerto formidável. Mesmo adaptados para o tom mais leve e infantil característico da franquia LEGO, as personalidades fundamentais de cada antagonista foram preservadas com maestria: o Coringa continua lunático e manipulador, Bane exala brutalidade e o Pinguim se apresenta de forma suja e corrupta. Dividido em 6 capítulos substanciais, o enredo cobre diferentes eras e marcos da franquia, passando pelo primeiro encontro com a Mulher-Gato, o treinamento do Robin, sua emancipação como Asa Noturna e a ascensão de Barbara Gordon como Batgirl.

Uma Gotham viva

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Captura de Tela

O jogo segue o formato de mundo aberto, e Gotham está repleta de atividades. Corridas com o Batmóvel, desafios do Charada, treinamentos de combate, desafios de planagem, baús com chips WayneTech que melhoram seus personagens. E claro, sendo Gotham, os crimes nunca param. Assim como nos jogos Arkham, você é avisado sobre ocorrências pela cidade e pode ir detê-las, ganhando recompensas no processo. O mundo é genuinamente divertido de explorar, e a mobilidade com o gancho é muito boa, tornando a travessia pela cidade prazerosa mesmo sem um objetivo específico em mente.

Também temos a Batcaverna, que funciona como o hub central do jogo, onde você pode ver todos os carros, trajes desbloqueados e até criar certos objetos para comprar na loja. A personalização é bacana o suficiente para você passar horas só deixando o QG com a sua cara.

Falando em trajes, a variedade aqui é impressionante. Existem roupas referenciando momentos icônicos dos quadrinhos, dos filmes mais antigos e recentes, e até mesmo um traje inspirado em Batman: Absolute. Para quem é fã de longa data do personagem, é o tipo coisa que você percebe o quanto o jogo é feito com amor.

Personagens

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Diferente de títulos anteriores da TT Games, como LEGO Marvel Super Heroes, que ostentavam listas infladas com mais de 250 personagens genéricos, O Legado do Cavaleiro das Trevas opta por uma abordagem muito mais focada e cirúrgica. O elenco principal conta com apenas 7 personagens jogáveis: Batman, Comissário Gordon, Robin, Asa Noturna, Batgirl, Mulher-Gato e Talia al Ghul.

A grande vantagem dessa redução é que cada personagem possui um moveset e gadgets totalmente únicos. Enquanto o Batman utiliza seu batarangue e gancho para interagir com o cenário, Talia al Ghul usa dardos soníferos à distância e bombas de fumaça para se teletransportar. Robin usa seu bastão técnico para abrir portas trancadas e a Mulher-Gato usa suas garras para cortar painéis de vidro. Essa assimetria enriquece os quebra-cabeças da campanha.

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Captura de Tela

O combate se inspira diretamente no aclamado sistema Freeflow da franquia Arkham. Com comandos intuitivos de ataque (Quadrado/X) e contra-ataque (Triângulo/Y), as lutas são extremamente prazerosas e rítmicas. O impacto dos golpes nas peças LEGO é incrivelmente satisfatório, e a interatividade com o cenário eleva a diversão: você pode arremessar inimigos em latas de lixo ou jogá-los pra fora da ponte. Os gadgets também se integram organicamente aos combos e podem ser aprimorados nas bancadas gastando as moedas coletadas.

O único deslize real na experiência de jogo fica por conta do direcionamento dos quebra-cabeças. Compreendo perfeitamente que se trata de um título voltado também para o público infantil, mas o nível de assistência é exagerado. Antes mesmo que você tenha tempo de olhar para o cenário e raciocinar sobre a solução do puzzle, algum personagem já solta uma linha de diálogo explicando exatamente o que deve ser feito. Essa superexposição tira um pouco do brilho da resolução dos mistérios e poderia ser facilmente suavizada ou desativada nas opções.

Desempenho e Áudio

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Visualmente, o salto gráfico proporcionado pela Unreal Engine 5 é assustador. Jogando no PC com as configurações no máximo (equipado com uma RTX 4070 Ti), a apresentação visual se mostrou impecável. O nível de detalhes nas texturas de plástico dos blocos, o reflexo do Ray Tracing nas poças d’água de Gotham e o efeito das gotas de chuva escorrendo de forma realista pela armadura do Batman criam uma atmosfera incrivelmente rica e atmosférica.

Todavia, a experiência sofre com alguns problemas de polimento técnico que merecem atenção. Durante a jornada, deparei com alguns bugs incômodos: o Batmóvel travou completamente o acelerador em duas ocasiões, arquivos de áudio da dublagem soaram abafados do nada e, em uma missão específica, um item crucial de progressão simplesmente desapareceu do cenário, me obrigando a reiniciar a fase. Um problema no jogo também é o fato de ao início e fim de toda cutscene o jogo da uma leve engasgada.

Na ala sonora, o jogo entrega uma experiência de gala. A trilha sonora mescla com perfeição as composições cinematográficas clássicas do herói com os temas nostálgicos dos primeiros jogos de LEGO. Para coroar, a dublagem em português está espetacular, trazendo de volta as vozes consagradas da trilogia de Christopher Nolan, o que eleva consideravelmente o peso dramático e o carinho em cada cena.

Veredito

LEGO Batman: O Legado do Cavaleiro das Trevas triunfa ao resgatar a essência do Homem-Morcego e combiná-la com a melhor evolução técnica que a franquia LEGO já viu. É um jogo divertido, visualmente deslumbrante e que respeita profundamente o legado do herói. Caso a TT Games corrija os bugs de progressão por meio de atualizações e dose as dicas excessivas dos personagens, estaremos diante de uma obra impecável. Para quem cresceu jogando o clássico de PS2 ou simplesmente ama o universo de Gotham, este retorno é absolutamente obrigatório.

Lego Batman Legacy of the Dark Knight Game Review
87

MUITO BOM

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