Há cerca de 10 meses, o primeiro trailer de Fatekeeper surgiu e imediatamente chamou minha atenção. Com gráficos exuberantes e promessas de um combate brutal e extremamente dinâmico, o título rapidamente subiu na minha lista de interesses. O que mais me deixou maravilhado foi descobrir que toda essa ambição estava sendo orquestrada por uma equipe minúscula de apenas 13 desenvolvedores num estúdio na Alemanha, chamado Paraglacial.

No dia 6 de junho, o Acesso Antecipado finalmente foi liberado, e após investir pouco mais de três horas na campanha, posso afirmar que temos um jogo com um potencial gigantesco em mãos.

História

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Fatekeeper – Captura de Tela

Por se tratar de uma build em Acesso Antecipado, a narrativa ainda é bastante fragmentada. O jogo não perde tempo com longas cinemáticas. Depois de um texto introdutório que estabelece o tom do universo, somos jogados diretamente no topo de uma montanha, assumindo o papel de Kor Teranim, um druida que carrega nos ombros a missão de impedir que o mundo entre em colapso total.

Felizmente não estamos sozinhos nessa jornada árdua. Somos acompanhados por Muran Tor, um rato simpático e bastante falante que atua como nosso espírito guia. A dinâmica entre Kor e Muran é um dos pontos altos deste início, com o pequeno roedor nos orientando sobre objetivos e oferecendo dicas valiosas de sobrevivência. É uma forma inteligente de guiar o jogador pelo mapa sem recorrer a interfaces intrusivas ou exposição forçada.

Combate e Progressão

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Fatekeeper – Captura de Tela

Quando o assunto é jogabilidade, Fatekeeper bebe diretamente da fonte de Skyrim, mas adiciona uma camada de agressividade e fluidez que o moderniza bastante. No combate corpo a corpo temos espadas gigantes, clavas, adagas e machados, cada arma com atributos próprios, incluindo variantes com dano de fogo, opções mais pesadas e mais leves. O sistema oferece ataque fraco, ataque forte, defesa, um chute capaz de quebrar a guarda do inimigo e empurrá-lo, além de esquiva.

As magias são um dos grandes destaques da experiência. Temos magia de fogo, gelo, vento e telecinese, sendo essa última minha favorita disparada. Diferente das outras, a telecinese permite pegar itens espalhados pelo mapa e arremessá-los contra inimigos, além de puxá-los para você, dando um dinamismo extra ao combate que poucos jogos do gênero exploram.

A progressão de personagem segue o padrão já estabelecido pelo gênero: matamos monstros, completamos missões e ganhamos pontos de experiência para investir numa árvore de habilidades. Mesmo sem chegar nem perto de completá-la nessas três horas, já é possível notar uma variedade legal de builds possíveis, desde abordagens focadas em força bruta até construções voltadas para magia pura.

O sistema de alquimia também merece menção. Um caldeirão permite criar poções com itens encontrados pelo mundo, como cogumelos, flores e outros ingredientes, cada um com atributos próprios. É possível criar poções para ingerir e ganhar buffs, ou aplicar itens diretamente nas armas para causar efeitos como veneno. Uma mesma flor, por exemplo, pode virar uma poção de cura ou um debuff aplicado na espada. É simples, mas divertido, e expande bastante as possibilidades de build.

A variedade de inimigos encontrada até aqui já impressiona: goblins com lanças, espadas, escudos, arremessadores de pedra, e até goblins cinzas, mais fortes que os comuns, equipados com arco e flecha, machado ou magia. Os dois chefes enfrentados durante o acesso antecipado também são bem distintos entre si, um touro brutal empunhando um machado enorme acompanhado de capangas, e um guerreiro gigante com armadura pesada usando uma marreta. Ambos são divertidos de enfrentar, mas há um problema de design que precisa de atenção: diferente de um souls-like tradicional, onde existe uma janela de esquiva mais generosa, aqui é necessário esquivar no último milissegundo, já que os chefes corrigem a trajetória do golpe em direção ao jogador caso a esquiva seja antecipada demais.

Gráficos

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Fatekeeper – Captura de Tela

Visualmente o jogo é um espetáculo. Desde o início somos recebidos por montanhas com uma geometria incrível, no nível de Death Stranding 2, onde é possível notar cada detalhe da formação rochosa. A direção de arte é fantástica, e existem momentos em que você simplesmente para para admirar a paisagem, como ao subir em direção a um castelo em ruínas e se deparar com montanhas ao redor, árvores e um lago no meio do cenário. É o tipo de imagem que facilmente serviria de wallpaper.

A iluminação volumétrica vazando por entre as copas das árvores, o nível de detalhe nas folhagens e a textura das roupas e pelagens dos animais são de cair o queixo, especialmente considerando o tamanho reduzido da equipe responsável por tudo isso.

Desempenho e Bugs

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Fatekeeper – Captura de Tela

Como já era esperado por se tratar de um acesso antecipado, a fase atual de Fatekeeper cobra seu preço na otimização técnica. Mesmo rodando o jogo num computador potente, enfrentei quedas de FPS frustrantes em áreas maiores e durante combates contra múltiplos inimigos simultaneamente.

Durante essas três horas, anotei problemas que precisam de atenção antes do lançamento final. Ocorreram falhas de colisão, onde minha esquiva me jogou para dentro de pedras sólidas ou texturas de montanha, forçando o recarregamento do último save. Também presenciei animações quebradas, com inimigos perdendo o movimento de ataque no meio da execução e deslizando pelo chão antes de aplicar o dano. O áudio espacial igualmente se mostrou confuso, com o som de flechas sendo puxadas parecendo colado no meu ouvido mesmo com o inimigo a dezenas de metros de distância.

Veredito

Fatekeeper se posiciona como um dos títulos mais promissores do gênero, apoiando-se numa base surpreendentemente robusta para um Acesso Antecipado. As maiores virtudes do jogo são a imersão proporcionada por gráficos deslumbrantes, uma direção de arte impecável e um sistema de combate que recompensa a agressividade com excelente peso e impacto. A progressão orgânica das habilidades e a dinâmica cativante entre Kor e Muran Tor garantem que a narrativa e o engajamento com o mundo funcionem desde os primeiros minutos.

Contudo, a grandeza dessa ambição ainda é ofuscada pelo estado técnico da versão atual. A experiência é constantemente arranhada por problemas que não podem ser ignorados, com destaque para as quedas bruscas de desempenho, o áudio espacial descalibrado e as falhas de colisão frustrantes. Se a equipe conseguir superar esses gargalos de otimização antes da versão 1.0, Fatekeeper tem tudo para se consolidar como uma aventura indispensável para qualquer fã de RPG.

Agradeço imensamente a THQ Nordic por gentilmente ter cedido uma cópia do jogo para produção desta review.

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