Há jogos que definem gerações. Halo: Combat Evolved foi um desses. Quando chegou em 2001 ao lado do Xbox original, derrubou a ideia de que shooters em primeira pessoa não funcionavam em console, entregou um dos personagens mais icônicos dos jogos e estabeleceu um padrão que a indústria inteira levou anos para assimilar.
Vinte e cinco anos depois, a Halo Studios tentou reviver esse momento com Halo: Campaign Evolved, um remake completo feito na Unreal Engine 5 que prometia modernizar o clássico sem perder sua essência. O resultado é mais complicado do que o esperado.
Uma lenda reconstruída do zero

Você controla o Master Chief, um super-soldado em armadura, despertando de criostase no meio de um caos total enquanto a aliança alienígena ataca a nave humana Pillar of Autumn. Após a batida numa estrutura em forma de anel no espaço, a batalha pela sobrevivência começa. É uma abertura poderosa que funciona tão bem hoje quanto funcionava em 2001, especialmente com as novas cinemáticas gravadas pelo elenco original.
A história segue os mesmos eventos do original, sem grandes alterações na narrativa central, mas com o benefício de uma apresentação muito mais elaborada. As cutscenes ganharam uma reconstrução completa com animações mais expressivas e novos diálogos que dão mais personalidade ao Master Chief do que qualquer versão anterior do personagem. Cortana, Johnson, o capitão Keyes, todos voltam com suas vozes originais num resultado que na maior parte do tempo funciona muito bem.
Visualmente impressionante

O trabalho visual da Halo Studios merece reconhecimento. A migração para Unreal Engine 5 resultou num jogo lindíssimo que consegue ser fiel à identidade visual do original sem cair na armadilha do remake de 2011, que alterou demais a direção de arte para algo que não parecia Halo.
Aqui, a paleta de cores vibrante cheia de verdes, roxos e azuis do original está preservada, só que com uma fidelidade técnica impressionante. A iluminação volumétrica, os reflexos e o nível de detalhe nos ambientes são de cair o queixo em vários momentos.
Os modelos de armas e veículos foram reconstruídos com cuidado, preservando a identidade visual de cada um enquanto entregam a qualidade que você espera de um jogo de 2026.
Missões bônus

Aqui está a maior surpresa positiva de Halo: Campaign Evolved, e preciso ser enfático nisso porque é o ponto que mais me impressionou. Composta por três missões completamente originais que se passam um ano antes dos eventos do jogo principal, é simplesmente melhor do que a maioria das missões da campanha base. Ao lado do lendário Sargento Johnson, o Master Chief lidera uma operação clandestina para tomar uma enorme nave, e essa estrutura dá espaço para as missões bônus fazerem o que a campanha principal não consegue: apresentar design de nível fresco, inimigos novos, armas de outros títulos da franquia como o Needle Rifle e a Brute Plasma Rifle, e situações que o Halo original nunca tentou.
A missão final da Operation: Meteorite, que coloca você no controle de uma nave Seraph durante uma batalha espacial, é uma das sequências mais memoráveis do jogo inteiro, mesmo que os controles dela sejam um pouco desajeitados. Quando você está pilotando para destruir escudos e torretas, a sensação é de algo genuinamente novo dentro do universo Halo. Essas missões sozinhas justificam parte significativa do interesse em Halo: Campaign Evolved para qualquer fã da franquia.
Gameplay

Aqui chegamos ao problema central do remake, e é um problema estrutural que nenhuma quantidade de visual bonito consegue esconder. O design de missões e de níveis do Halo original simplesmente não envelheceu bem, e a Halo Studios fez escolhas insuficientes para modernizá-lo.
A campanha principal é basicamente uma série de corredores e arenas conectados onde você elimina ondas de Covenant, caminha até o próximo checkpoint e repete. Em 2001 isso era revolucionário pela qualidade da execução. Em 2026, comparado com o que shooters modernos oferecem em termos de variedade de design e ritmo, parece excessivamente simples.
A corrida foi adicionada, a possibilidade de abordar veículos inimigos chegou junto com outras melhorias de qualidade de vida vindas de títulos posteriores da franquia, mas nenhuma dessas adições ataca o problema real, que é o design dos níveis em si.
A missão da Biblioteca continua sendo um exemplo emblemático. O original era infame pela repetição exaustiva dos seus corredores idênticos, e o remake tenta resolver isso com novos inimigos e seções interativas adicionadas, mas perde no processo muito da tensão e do desespero que tornavam aquela missão memorável mesmo sendo odiada. A solução aplicada é cosmética quando o problema era estrutural.
Os crânios espalhados pelas fases adicionam uma camada bem-vinda de rejogabilidade, permitindo modificadores que mudam como o jogo funciona e aumentam o fator diversão especialmente no cooperativo. São uma adição que funciona bem e dá motivo para revisitar as missões após terminar a campanha.
Performance

Joguei Halo: Campaign Evolved numa RTX 4070 Ti e os problemas de stuttering que enfrentei são simplesmente inaceitáveis para um jogo lançado hoje. Em vários momentos, especialmente em áreas mais abertas e durante combates com múltiplos inimigos na tela, o jogo apresentou engasgos notáveis que quebravam o ritmo da ação. Não são quedas de FPS constantes, mas sim aqueles stutters aleatórios que aparecem sem aviso.
Para uma placa que roda praticamente qualquer jogo atual sem reclamar, esse comportamento aponta para problemas de otimização que precisam ser resolvidos via patch. São o tipo de problemas que não deveriam existir num lançamento do carro chefe da Microsoft.
Outros bugs menores aparecem ocasionalmente, com inimigos ficando presos e checkpoints que às vezes colocam você em situações difíceis de se recuperar, mas nada tão grave quanto o stuttering persistente.
Ausência do Multiplayer
Halo: Combat Evolved foi também uma revelação no multiplayer local, e a total ausência de qualquer componente competitivo online em Campaign Evolved é uma decisão difícil de entender. O cooperativo para até quatro jogadores online com crossplay é bem-vindo e provavelmente é onde a maioria das pessoas vai encontrar o maior valor de rejogabilidade, especialmente na dificuldade Lendária.
A tela dividida local para dois jogadores também se manteve presente, o que é respeitável. Mas para uma franquia que ajudou a definir o multiplayer competitivo em console, não ter nenhuma opção competitiva online deixa o pacote incompleto.
Veredito
Halo: Campaign Evolved é um remake bem-intencionado que acerta em várias frentes mas falha onde mais importa. Os visuais são deslumbrantes e fiéis à identidade da franquia, as missões bônus são genuinamente boas e melhores do que muito do que a campanha principal oferece, e a preservação do espírito do original é evidente no trabalho da Halo Studios.
O problema é que modernizar a apresentação sem modernizar o design dos níveis e das missões cria uma experiência que parece um jogo velho embrulhado em papel de presente novo. Quem não tem memória afetiva de Halo vai encontrar um shooter competente mas visivelmente datado em sua estrutura.
Quem cresceu com o original vai apreciar a nostalgia mas vai sentir que o remake poderia ter ido muito mais fundo.

BOM
Pontos Positivos:
- Visuais deslumbrantes e fiéis à identidade visual original
- Missões bônus
- Cooperativo para até 4 jogadores
- IA dos inimigos com melhorias
Pontos Negativos:
- Design de missões e level design
- Stutterings
- Ausência total de multiplayer competitivo
- Bugs
- Repetitividade



