Preciso ser honesto: não estava tão empolgado com Mortal Shell II antes de jogá-lo. O original era competente e tinha suas ideias interessantes, mas nunca chegou perto dos grandes nomes do gênero.

Agora, após mais de 30 horas para alcançar o final, posso dizer que a sequência foi uma grata surpresa. É até o momento um dos melhores que joguei neste ano, conseguindo melhorar em todos os aspectos de seu antecessor e se firmando como um soulslike que tem muito a dizer por conta própria.

História

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Captura de Tela | Mortal Shell II

Mortal Shell II segue o padrão narrativo que qualquer fã do gênero já conhece bem: a história existe, é interessante, mas fica no plano de fundo, sendo descoberta aos poucos através de descrições de itens e falas enigmáticas de alguns NPCs espalhados pelo mundo.

Você encarna o Arauto, um ser originado de uma divindade chamada Mãe que colidiu com a região de Fallgrim em eras remotas. O que restou de sua carcaça foi desmembrado para a construção de templos, e o ato de profanar seus restos desencadeou uma praga que espalhou uma névoa de insanidade e decadência pela região. Sua missão é recuperar os ovos sagrados roubados da Mãe, enquanto enfrenta os cultos fanáticos que os tomaram.

Por mais que seja simples, a narrativa funciona muito bem e cumpre seu papel. O mundo devastado e opressor de Fallgrim tem uma atmosfera densa que me puxava para frente constantemente. Não é uma história que vai te emocionar profundamente, mas constrói um universo coerente e instigante que suporta bem as mais de 30 horas de jornada.

Sistema de Carcaças e Builds

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Captura de Tela | Mortal Shell II

O coração de Mortal Shell II é o sistema de carcaças, e a Cold Symmetry expandiu consideravelmente o que havia no original. São 8 carcaças no total, cada uma representando um guerreiro caído com sua própria história, árvore de habilidades, habilidades ativas e passivas, e estilo de combate completamente distinto.

Quanto mais você utiliza uma carcaça e fortalece seu vínculo com ela através de Glimpses, mais habilidades são desbloqueadas e mais você descobre sobre a história daquele guerreiro, transformando cada nova carcaça encontrada numa pequena aventura de descoberta dentro da aventura maior.

As Pedras Tar adicionam mais uma camada ao sistema, permitindo aplicar buffs passivos, infusões elementais nas armas secundárias e até incorporar habilidades de inimigos derrotados.

Combate

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Captura de Tela | Mortal Shell II

O combate foi a maior evolução em relação ao original e é onde o jogo mais brilha. A primeira grande mudança é a remoção completa da barra de estamina para correr, esquivar e atacar. Em vez disso, o sistema trabalha com uma barra de postura para bloqueio e com Resolução, um recurso gerado pelos ataques corpo a corpo que alimenta as habilidades das carcaças e as armas secundárias.

Isso não significa que você pode atacar sem parar. Cada ataque iniciado não pode ser cancelado, então se um inimigo decide te atacar exatamente no mesmo momento, você vai sentir o impacto. Essa escolha de design cria uma tensão constante onde cada sequência de golpes precisa ser calculada.

O sistema de parry é o centro de tudo: aparar um ataque no timing correto enche a barra de postura do inimigo, e quando ela completa você pode executar um Riposte, um contra-ataque brutal com animações que são simplesmente espetaculares de ver.

São 8 armas principais como espadas e machados, e 8 secundárias de longo alcance incluindo metralhadora e até uma balista portátil, todas intercambiáveis entre qualquer carcaça. As armas são bem diferentes entre si, com as mais lentas causando mais dano bruto e as mais rápidas sendo mais eficientes na quebra de postura. Todas podem ser melhoradas com materiais encontrados durante a exploração.

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Captura de Tela | Mortal Shell II

Os chefes foram em geral um dos pontos mais altos da minha jornada. A maioria tem um design fantástico tanto visualmente quanto mecanicamente, exigindo que você domine tudo que aprendeu até aquele ponto do jogo. Cada confronto maior tem aquele peso e grandiosidade que definem os melhores momentos do gênero.

Minha única ressalva fica com os dois últimos chefes. O design deles é visivelmente mais fraco comparado ao restante do elenco, parecendo que ficaram aquém do que o jogo merecia para seu grande finale.

O chefe final em particular tem uma habilidade de maldição que drena progressivamente suas possibilidades durante a batalha, tornando o confronto mais cansativo e frustrante ao invés de emocionante. É uma escolha de design questionável para encerrar uma experiência tão boa.

Exploração

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Captura de Tela | Mortal Shell II

O mundo de Fallgrim é interconectado e repleto de segredos, com masmorras subterrâneas, caminhos alternativos escondidos e cavernas com pequenos puzzles que trazem um novo ar fresco. A curiosidade é constantemente recompensada com novas armas, materiais de upgrade, Ova e Pedras Tar que fortalecem as builds. O sistema de viagem rápida, desbloqueado conforme você recupera os Ova, torna a navegação pelo mapa muito mais prática nas horas finais.

Gráficos e Desempenho

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Captura de Tela | Mortal Shell II

Mortal Shell II é lindíssimo e certamente está entre os soulslike mais bonitos que já vi, rivalizando com o remake de Demon’s Souls feito pela Bluepoint. Fallgrim tem uma variedade impressionante de biomas, cada um com sua própria identidade visual, e a direção de arte cria uma atmosfera opressora e sombria que combina perfeitamente com o tom do jogo. A iluminação em particular é excelente, especialmente nas transições entre dia e noite.

Joguei numa RTX 4070 Ti com tudo no máximo e o desempenho foi muito bom na maior parte do tempo. O problema foram os crashes. Tive algumas quedas de FPS durante a jornada que, apesar de não ocorrerem com frequência absurda, incomodam bastante em um gênero onde cada frame conta.

Também encontrei bugs de colisão com inimigos em alguns momentos, situações onde o modelo do inimigo passava pela geometria do cenário ou travava em posições estranhas. Nada que quebre a experiência de forma grave, mas são problemas que precisam ser corrigidos via patch.

Trilha Sonora

A trilha sonora cumpre seu papel de criar atmosfera e há momentos onde a música contribui muito para a tensão dos confrontos mais importantes. Mas ao longo das mais de 30 horas de campanha, percebi que as faixas soam muito parecidas entre si do início ao fim.

Não existe uma composição que ficou marcada na minha memória ou que eu associe a um momento específico do jogo. Para um gênero que tem exemplos musicais tão memoráveis quanto os da Fromsoftware, Mortal Shell II fica bastante abaixo do potencial que poderia explorar.

Veredito

Mortal Shell II foi a grande surpresa do ano para mim. A Cold Symmetry tomou tudo que funcionava no original e construiu algo muito mais ambicioso, profundo e satisfatório em cima disso.

O sistema de carcaças combinado com as Pedras Tar, Selos e árvores de habilidades cria uma profundidade de build que poucos soulslike conseguiram alcançar. O combate fluido sem barra de stamina mas com toda a tensão que o gênero exige é uma das melhores implementações que vi nesse estilo de jogo.

Os dois últimos chefes desapontam, os crashes no PC incomodam e a trilha sonora fica aquém do que o jogo merecia, mas são tropeços que ficam pequenos diante de tudo que Mortal Shell II acerta. É uma jornada brutal, recompensadora e que recomendo sem hesitar para qualquer fã do gênero.

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90

Incrível

Agradecemos à Playstack e à Cold Symmetry pelo envio do jogo para a produção desta análise.

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