O novo projeto do criador de Assassin’s Creed aposta em bruxaria e viagem no tempo, mas o Early Access ainda pede paciência
Tivemos acesso ao Early Access de 1666: Amsterdam, uma aventura narrativa de ação em terceira pessoa que tem pesquisa, magia e fantasia sombria como seus principais pilares.
Um nome de peso à frente do projeto

Por trás do jogo está uma figura carimbada da indústria dos games: Patrice Désilets, criador de Assassin’s Creed e diretor do Prince of Persia: The Sands of Time. Grande parte do interesse no jogo vem justamente disso, a curiosidade de ver um desenvolvedor tão aclamado à frente de um projeto independente. Como chefe de um estúdio próprio, é notória a liberdade criativa que ele exerce aqui, com forte influência de seus trabalhos anteriores. Ao mesmo tempo, o jogo tenta construir uma identidade própria.

Bruxas, viagens no tempo e uma caçada implacável
O jogo se passa em três linhas do tempo (1666, os anos noventa e o presente), entre as quais o jogador alterna. Do lado dos vilões estão holandeses notáveis que, em meio a uma caça às bruxas, buscam algum tipo de domínio sobre a cidade.
Clio, uma das personagens centrais, recebe uma carta que não consegue compreender. Ao tentar desvendá-la, ela passa a reviver as memórias do pai, Aaron, durante os anos de 1999 a 2000. É através dessas lembranças que conhecemos Noa, uma bruxa disfarçada de criada e integrante do clã Zaindairis. Essa ordem caça pessoas que fizeram pactos, expulsa os demônios que carregam e elimina o hospedeiro no processo. Sem entrar em muitos spoilers, o jogo conta a trama por meio desses flashbacks, alternando os três períodos para ir juntando as peças da história aos poucos.

O gato é o destaque, o combate nem tanto
Um gato acompanha Noa e é responsável pelos momentos de plataforma do jogo. Ele consegue escalar, entrar por janelas e até possuir pessoas para abrir caminho em locais inacessíveis. Sem dúvida, é uma das melhores mecânicas do jogo: deixa a exploração mais variada e complementa bem a jogabilidade de Noa.
Como já era de se esperar pelo histórico do criador, a jogabilidade soa familiar. O stealth é quase obrigatório, já que ninguém pode ver Noa em sua forma de bruxa. Durante o jogo é possível alternar entre os dois modos, e há momentos em que ela pode usar magias e sua arma principal, um Ramo Sagrado.
Apesar da história parecer interessante, a jogabilidade em si é bastante desajeitada e às vezes desconfortável, seja controlando Noa ou o gato. Fica nítido que o jogo ainda precisa de bastante tempo de polimento: novas animações e correções de pequenas falhas, principalmente na movimentação e na IA dos inimigos. O jogo também aparenta ter algum tipo de input lag, que deixa o combate lento mesmo em taxas de quadros mais altas. As principais mecânicas giram em torno de desviar e de um combo de três golpes para atordoar e finalizar inimigos. Depois de algumas horas, isso se torna repetitivo e monótono.
Por outro lado, a furtividade funciona bem na maior parte do tempo, embora falte liberdade. Controlar uma bruxa abre infinitas possibilidades de jogo, e acredito que, lapidando esse sistema, ele pode se tornar bem mais interessante em um futuro lançamento.

Um caminho promissor, ainda em construção
Por fim, esse projeto me deixou intrigado. Na minha visão, é um tema pouco explorado nos jogos, e funciona quase como um prequel do que veremos em Assassin’s Creed Hexe. O ponto é que o jogo está longe de estar pronto: precisa de mais tempo de desenvolvimento e refinamento.
Além dos problemas de gameplay já citados, a performance também merece atenção. O jogo é extremamente exigente mesmo sem visuais impressionantes, apesar de contar com uma boa direção de arte. Boa parte disso pode se dever ao fato de ser uma versão early access? Sim, mas ainda assim merece ser citado.
1666: Amsterdam é um jogo que precisa de tempo para amadurecer. Patrice já demonstrou o que sabe fazer, e neste momento a coleta de feedback da comunidade é essencial. Sobre o uso de IA generativa, a equipe já esclareceu que a utilizou apenas nas fases iniciais do desenvolvimento. Resta esperar e acreditar no esforço dessa equipe para entregar, na versão final, um jogo melhor e mais completo.
Agradecemos à Panache Digital Games pelo envio da versão early access para a produção desta preview.



