Darwin’s Paradox! foi um título que me chamou a atenção desde o seu anúncio. Ele foi mostrado em meio aos anúncios da franquia Metal Gear, algo bem diferente do que estávamos acostumados a ver da Konami, e se revelou uma surpresa agradável depois de Metal Gear Solid Delta e Silent Hill F. Um jogo de plataforma e puzzles protagonizado por um polvo parecia uma aposta curiosa, mas o resultado supriu as expectativas.
Desenvolvido pela ZDT Studio e publicado pela Konami, Darwin’s Paradox! é uma aventura de stealth e quebra-cabeças em que controlamos Darwin, um polvo azul que precisa escapar de uma fábrica. Com um clima que lembra os filmes da Disney e da Pixar e uma pitada de Metal Gear, o jogo entrega uma jornada divertida, ainda que curta.
A trama de Darwin

A trama é relativamente simples: Darwin, nosso carismático polvo azul, é sequestrado por uma megacorporação chamada UFOOD e precisa escapar de uma grande fábrica. No meio do caminho, ele encontra acidentalmente uma conspiração que ameaça o mundo. Durante a jogatina, senti uma leve semelhança com Procurando Nemo, e o clima lembra os títulos da Disney e da Pixar. É uma história simples, mas que cumpre o seu papel.
Stealth e puzzles com as habilidades de um polvo

Darwin’s Paradox! é essencialmente um jogo de stealth e quebra-cabeças, então não espere muito de combate. O máximo que existe são momentos em que é preciso usar a tinta preta em máquinas para conseguir avançar no cenário. Na maior parte do tempo, você vai se esconder e descobrir como passar pelos locais usando as habilidades do polvo ou movendo objetos que aparecem no cenário para abrir caminho.
É aí que está o grande diferencial. Usar os tentáculos para se esgueirar e grudar em praticamente qualquer superfície do mapa, se camuflar e usar a tinta preta para se manter escondido, tudo combinado com os objetos do cenário, casa perfeitamente com a proposta. Os puzzles, em sua maioria, são simples, mas a forma como exploram essas habilidades e a interação com o ambiente evita que o jogador fique sobrecarregado ou enjoado de um sistema mais básico.
O stealth, em especial, é o ponto alto. A Konami e a ZDT trouxeram um pouco da essência de Metal Gear adaptada a um jogo de plataforma, e em nenhum momento ele me cansou. Parte da crítica internacional reclamou que essas sequências travam o ritmo, mas essa não foi a minha experiência.
Controles responsivos e dificuldade na medida certa

Os controles são muito responsivos, às vezes até demais: em alguns momentos Darwin pode grudar nas superfícies quando você corre em direção a uma beirada. Isso não prejudica a gameplay, apenas exige um pouco mais de atenção.
A dificuldade é bem equilibrada e a travessia é bem interessante: há partes em que, se você não pensar minimamente, fica difícil passar. Algumas plataformas da parte final podem ser um pouco frustrantes, já que qualquer errinho faz o inimigo te atingir e você precisa voltar. Os puzzles também têm uma janela de tempo, o que não chega a ser um problema, pois se você demorar um tempo razoável o próprio jogo exibe uma dica opcional de como seguir.
Visual, trilha sonora e desempenho

Por ser mais um jogo em Unreal Engine 5, Darwin’s Paradox! tem visuais bonitos, como era de se esperar. Alguns locais, principalmente na parte final, se destacam por uma iluminação mais enfática, que acredito ser obra do Lumen e que deixa a apresentação bem bacana, os ambientes internos são bem detalhados.
O áudio não é o ponto mais forte do jogo, mas as músicas dão uma atmosfera legal ao game. Há inclusive uma parte em que a trilha sonora acompanha os passos de Darwin, algo que achei bem interessante.
No PlayStation 5 Pro, o jogo oferece dois modos, qualidade e desempenho. Joguei inteiramente no modo desempenho e não tive nenhum problema: foi uma experiência fluida do início ao fim. O modo qualidade também está disponível para quem prefere priorizar o visual, mas não cheguei a testá-lo.
Curto, mas divertido

Darwin’s Paradox! é um jogo bem curto. Levei menos de 6 horas para finalizá-lo, e isso porque travei em algumas partes e demorei mais que o normal para passar; dá para zerar numa tarde se você se esforçar um pouco. Isso pode ser contado como ponto negativo: o jogo acaba e fica a sensação de que poderia ter mais, poderia ser explorado em DLC.
Acredito que não tenha muita rejogabilidade, mas é um presente para quem gosta de jogos de plataforma e que estavam cansados do “mais do mesmo”, o jogo entrega uma experiência inovadora no gênero.
Veredito
Darwin’s Paradox! oferece uma jornada divertida, tem uma dificuldade interessante, uma trama simples, mas que cumpre o seu papel, o clima dos filmes da Disney e da Pixar com uma pitada de Metal Gear e um protagonista muito carismático, cujo arsenal de habilidades de polvo deixa a aventura ainda mais legal impulsionados pela gameplay, solução de puzzles e stealth. Mesmo com a curta duração é sem dúvida recomendado.

MUITO BOM
Pontos Positivos:
- Controles responsivos
- Habilidades bem integradas aos puzzles
- Bons visuais e desempenho
- Abordagem única no gênero
Pontos Negativos:
- Alguns trechos de plataforma frustrantes
- Pouca rejogabilidade
- Muito curto, gostinho de quero mais
Agradecemos à Konami pelo envio do jogo para a produção desta análise.
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