Depois de anos sem um novo jogo, Gears of War retorna com E-Day, uma prequel que abandona a continuidade de Gears 5 para explorar um dos acontecimentos mais importantes da franquia, o dia da emergência.

Após concluir a campanha em aproximadamente 16 horas, posso afirmar que E-Day é um ótimo retorno às origens, com uma história envolvente, combates intensos e um dos gráficos mais bonitos desta geração mas que por problemas de desempenho, problemas na inteligência artificial dos companheiros e a repetição de atividades, impedem o jogo de alcançar todo o seu potencial.

História

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Captura de Tela | Gears of War: E-Day

Ambientado 14 anos antes dos acontecimentos do primeiro jogo, E-Day acompanha Marcus Fenix e Dominic Santiago durante o Dia da Emergência, quando os Locusts surgem e iniciam a invasão de Sera. A campanha se passa em Kalona e acompanha os protagonistas enquanto tentam sobreviver ao caos e proteger a população.

A narrativa acerta ao dar espaço para a relação entre Marcus e Dom, mostrando uma versão mais jovem dos personagens e construindo a tensão em torno da ameaça dos Locusts. A atmosfera sombria também reforça a sensação de perigo, aproximando o jogo do clima dos primeiros títulos da série.

Embora a narrativa não tente reinventar a maneira de contar uma história de guerra, ela entende a importância desse momento para a franquia. E-Day entrega uma campanha envolvente, com uma atmosfera marcante e uma história que funciona tanto para os fãs antigos quanto para quem está chegando agora.

Gameplay

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Captura de Tela | Gears of War: E-Day

O combate mantém as principais características de Gears of War: tiroteios, uso de coberturas, recarga ativa e diversas armas. A movimentação continua ágil, e a combinação entre avanço, posicionamento e uso do arsenal torna os tiroteios divertidos.

Os inimigos oferecem bons confrontos, exigindo atenção para evitar ficar exposto. A variedade de armas também ajuda a manter o combate interessante, embora a estrutura das missões e o reaproveitamento de situações acabem tornando algumas partes bem previsíveis.

O jogo apresenta melhorias para armas e equipamentos, permitindo adaptar o arsenal ao longo da campanha. A progressão oferece motivos para explorar os cenários em busca de recursos e aprimorar as ferramentas disponíveis, embora nem todas as melhorias tenham o mesmo impacto durante os confrontos.

Um dos problemas que mais me incomodou durante os combates foi a inteligência artificial dos aliados. Em diferentes momentos da campanha, enquanto eu e outro companheiro estávamos caídos, os personagens controlados pelo jogo priorizavam reviver o aliado em vez de ajudar a mim, o jogador, sendo uma decisão de programação um tanto quanto questionável.

Gráficos e Desempenho

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Captura de Tela | Gears of War: E-Day

Visualmente, Gears of War: E-Day é um dos grandes destaques da experiência. A utilização da Unreal Engine 5 permite construir cenários detalhados, com construções imponentes, iluminação convincente e uma quantidade impressionante de elementos espalhados pelos ambientes. A qualidade visual não está apenas nos personagens ou nas grandes sequências de destruição, mas também nos pequenos detalhes.

Um dos aspectos mais interessantes é acompanhar a transformação dos cenários durante a invasão. Locais que inicialmente apresentam sinais de uma cidade habitada acabam se tornando ruínas, com destroços, veículos destruídos e evidências da passagem dos Locust. Essa mudança ajuda a contar a história sem depender exclusivamente dos diálogos.

A direção artística também merece reconhecimento. A paleta de cores mais escura e os ambientes frequentemente tomados por fumaça e escombros reforçam a atmosfera de desespero. Em determinadas sequências, a iluminação e a composição dos cenários transformam simples deslocamentos em momentos memoráveis.

Joguei em um PC com uma RTX 4070 Ti e enfrentei quedas de desempenho e travamentos durante a campanha. Os problemas apareceram ao longo da experiência e prejudicaram momentos mais intensos, especialmente durante os combates.

Áreas abertas e repetição

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Captura de Tela | Gears of War: E-Day

Gears of War: E-Day não é um jogo de mundo aberto, mas tem algumas áreas maiores onde podemos explorar diferentes caminhos, encontrar colecionáveis e realizar missões secundárias.

A proposta é interessante porque oferece uma pausa na estrutura tradicional de corredores e arenas de combate. Nessas regiões, é possível decidir se vale a pena investigar os arredores ou seguir diretamente para o próximo objetivo da história.

O problema está no conteúdo dessas áreas.c As missões secundárias geralmente envolvem objetivos simples, como eliminar grupos de inimigos, defender posições ou ajudar sobreviventes. Embora funcionem como atividades opcionais, raramente apresentam situações criativas o suficiente para se destacarem da campanha principal.

A exploração também está bastante ligada à busca por melhorias. Como determinadas modificações e recursos dependem das descobertas feitas pelo jogador, ignorar essas áreas pode limitar as opções disponíveis mais adiante. Isso acaba tornando parte da exploração menos espontânea e mais próxima de uma obrigação para quem deseja aproveitar melhor o sistema de equipamentos.

Além disso, os mapas maiores não oferecem variedade suficiente para compensar o tempo gasto neles. Em alguns momentos, a sensação é de que a estrutura existe principalmente para prolongar a campanha, sem acrescentar experiências realmente memoráveis.

Esse problema se conecta diretamente à repetição dos combates. Durante boa parte das 16 horas de campanha, o ciclo é semelhante: chegar a uma nova área, enfrentar ondas de inimigos usando coberturas, cumprir o objetivo e seguir em frente.

O combate é bom o suficiente para manter a experiência divertida por bastante tempo, mas a falta de mudanças mais significativas começa se desgastar até o final.

Áudio

O áudio contribui para a identidade do jogo, especialmente durante os confrontos. Os tiros, as explosões e os sons produzidos pelos inimigos reforçam a sensação de peso do combate.

A sonorização das armas complementa o impacto dos disparos, enquanto os efeitos ambientais ajudam a transmitir a destruição que toma conta do momento.

A apresentação sonora também trabalha em conjunto com a direção da campanha para criar momentos de tensão. Em sequências mais sombrias, o ambiente e os sons dos inimigos ajudam a construir uma atmosfera que se aproxima do horror.

É um trabalho que complementa os gráficos e a narrativa, contribuindo para a sensação de estar no meio de uma invasão que saiu completamente do controle.

Veredito

Gears of War: E-Day é um ótimo retorno às origens da franquia. A história de Marcus e Dom, o combate e a qualidade gráfica sustentam a campanha até o final.

No entanto, os problemas de desempenho no PC, a inteligência artificial dos companheiros e a repetição de atividades impedem que a experiência alcance todo o seu potencial.

Ainda assim, o jogo entrega uma aventura sólida e respeita aquilo que tornou Gears of War marcante.

gears of war e day
80

MUITO BOM

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