Lançado como a sequência de um dos indies mais peculiares de 2021, Grime II tenta não apenas repetir a dose, mas expandir o seu universo bizarro. Desta vez, deixamos de lado o buraco negro ambulante do primeiro jogo para controlar um personagem Sem Forma, um imitador de arte que viaja por um mundo inteiramente composto por criações artísticas e pinturas. O objetivo do protagonista é compreender a essência da criatividade. O resultado final é uma experiência robusta e lindíssima, mesmo que esbarre em alguns problemas técnicos e escolhas medianas.

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Captura de Tela

A verdadeira estrela de Grime II é, sem dúvida, o seu combate. O jogo adota uma abordagem soulslike metódica e implacável. O grande diferencial do jogo é a mecânica de absorção: ao causar dano suficiente aos inimigos, você os deixa atordoados e pode usar uma investida para roubar a “tinta” deles, criando um molde. Essa mecânica permite que você invoque temporariamente as habilidades únicas daquele inimigo durante a luta, adicionando uma camada estratégica fantástica.

A variedade de oponentes é excelente, exigindo que você esteja sempre adaptando sua estratégia. Para lidar com eles, o jogo oferece um arsenal gigantesco, onde cada arma possui um peso e um conjunto de movimentos totalmente únicos. O combate ainda é aprofundado pelo sistema estamina, uma barra que se esgota com os seus ataques e esquivas, mas que concede bônus de dano consideráveis quando gerenciada corretamente. Além da esquiva tradicional, temos uma habilidade de parry que nos permite interromper e atordoar os oponentes na hora certa.

Tudo isso culmina nas batalhas contra os chefes. Elas são excepcionais, enormes e divididas em múltiplas fases que vão cobrar o domínio de todas as mecânicas que você aprendeu.

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Captura de Tela

Saindo do combate, o mapa é um ponto altíssimo. É um mundo estilo metroidvania muito gostoso de explorar, cheio de atalhos e visuais fascinantes que misturam formas orgânicas com abstrações de uma maneira maravilhosamente grotesca. E para quem joga no PC, uma ótima notícia: a otimização está excelente. Rodando o jogo em uma RTX 4070ti, a performance foi perfeita, sem qualquer queda de quadros mesmo nas horas mais caóticas.

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Infelizmente, a experiência tem suas falhas. Embora o universo seja visualmente deslumbrante, a narrativa é bastante simples e acaba servindo apenas como um pretexto básico para justificar a matança de um cenário para o outro. Não espere uma história inesquecível. Para piorar um pouco a atmosfera, a trilha sonora é apenas mediana e não consegue acompanhar a grandiosidade da direção de arte.

No entanto, o ponto mais frustrante durante a gameplay foram os bugs. Tive um problema específico e muito chato onde o jogo simplesmente ficou em inglês por alguns dias. Detalhes técnicos como esse quebram a imersão e irritam bastante.

Grime II é uma evolução sólida em relação ao original. Ele entrega um mundo bizarro mas lindo ao mesmo tempo, impulsionado por um combate preciso e satisfatório. Se você ignorar a narrativa fraca e tiver paciência com possíveis bugs, vai encontrar um metroidvania desafiador e incrivelmente divertido.

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Muito Bom

Agradeço imensamente à equipe da Clover Bite e Kwalee pela confiança em nosso trabalho e por disponibilizarem uma key para produção desta review.