Em uma recente entrevista, o CSO do Xbox, Matthew Ball, revelou que os jogos exclusivos serão a peça central para o crescimento da plataforma. Ele reconhece que a tarefa de recuperar a marca não é simples, mas assumiu o desafio por acreditar plenamente na viabilidade do projeto ao lado da atual liderança.
“Quando me sentei pela primeira vez com Asha, ela me perguntou: ‘Isso pode ser consertado?’. Eu sou um otimista estratégico. Considero incrivelmente derrotista pensar que exista uma situação em que não se possa fazer melhor, em que não se possa melhorar”, explicou Ball. “O quão difícil é? É uma pergunta diferente. O que será necessário para conseguir? É uma pergunta diferente. Quanto tempo vai demorar? São todas perguntas diferentes, mas eu continuo sendo um otimista estratégico. Decidi me juntar à empresa porque o que ela me disse que queria realizar me pareceu certo e alcançável.”
Ball acredita que o Xbox pode expandir sua fatia de mercado ao não lançar títulos como Gears of War: E-Day e Clockwork Revolution no PS5. Ele ressalta que o anúncio de duas grandes exclusividades foi um movimento proposital para provar que a empresa está mudando de rumo em definitivo.
“Era importante incluir dois títulos para que as pessoas entendessem que não se tratava de um caso isolado”, explicou o executivo. “Este é o início de um programa e os jogadores podem esperar um pipeline que valorize o seu investimento histórico na plataforma Xbox.”
O objetivo, segundo ele, é criar um caminho que “os mantenha como parte do ecossistema Xbox também no futuro e faça toda a indústria entender que os exclusivos são fundamentais para o crescimento e o posicionamento da marca de uma plataforma.”
Recentemente, Asha Sharma admitiu que os negócios do Xbox não estão em um bom momento, indicando que a recuperação passa diretamente pela oferta de mais exclusividades. Ball complementou a visão, prometendo maior clareza conforme a estratégia for implementada.
“Asha foi clara ao dizer que o nosso negócio hoje não é saudável”, afirmou Ball. “A cada dia seremos cada vez mais transparentes sobre o que estamos fazendo e as razões que nos levam a fazê-lo, mas hoje não posso fornecer uma resposta mais completa, do tipo: ‘Aqui estão todos os títulos que os jogadores podem esperar como exclusivos’.”
“Nós sabemos quais serão. Sabemos como tomaremos essas decisões e sabemos como seremos avaliados com base nelas, mas é importante que esse quadro estratégico seja tornado público no momento oportuno. Entendo por que algumas pessoas dizem que ainda não compreenderam completamente a situação”, continuou. “Temos que comunicar isso internamente. Temos que comunicar aos nossos parceiros. E, acima de tudo, o jogador médio do Xbox de hoje e aquele que gostaríamos de conquistar devem compreender isso da maneira mais simples possível. É essa a direção que estamos seguindo. Simplesmente ainda não estamos prontos para fazê-lo.”
O executivo foi contundente ao afirmar que a falta de apelo único estava prejudicando as vendas de hardware, motivando a rápida correção de curso da Microsoft.
“Tornou-se difícil explicar por que alguém deveria escolher um console Xbox, e os exclusivos são uma maneira importante de fazer isso: é por isso que vocês viram uma mudança tão rápida para essa abordagem.”
“Hoje pedimos às pessoas que gastem muito dinheiro para se tornarem usuários do Xbox. É um pedido importante, é caro. Significa abrir mão de outras opções. Temos o dever de nos empenhar mais e explicar de forma mais clara por que se deve escolher o Xbox. Ao mesmo tempo, também temos uma obrigação para com aqueles que compraram nosso console anos atrás: devemos atender às suas expectativas e fazer com que sintam que fizeram a escolha certa.”
Por fim, Ball reconheceu que essa manobra trará impactos financeiros imediatos, mas garantiu que o foco é a longo prazo.
“Estamos tentando construir um negócio globalmente mais saudável. A curto prazo sim, provavelmente haverá títulos que venderão menos cópias. É um investimento que estamos fazendo e é uma decisão apoiada por nossos estúdios de desenvolvimento, porque todos acreditam que isso nos levará ao nosso objetivo. Podemos conquistar fatias de mercado? Podemos crescer? Podemos nos tornar mais fortes? Eu acredito que a resposta para todas essas três perguntas é ‘sim’, e que, a longo prazo, nenhuma das nossas franquias será afetada negativamente.”
Fonte: Multiplayer.it




