O novo CEO da Remedy Entertainment, Jean-Charles Gaudechon (ex-executivo da EA), concedeu uma entrevista ao The Game Business onde discutiu abertamente o futuro da desenvolvedora. Segundo Gaudechon, o foco principal agora é capitalizar em cima das aclamadas propriedades intelectuais que o estúdio já possui, expandindo o seu alcance para novos públicos.

O executivo apontou a atual parceria com a Annapurna como um passo fundamental para transformar os jogos em franquias transmidiáticas:

“Nosso acordo com a Annapurna serve para fazer nossos jogos, nossas franquias brilharem ainda mais e atingirem um público que não existe hoje”, explicou. “É uma pena, eu acho que Alan Wake deveria ter vendido mais. Control deveria ter vendido mais. Para mim, essa é uma das primeiras coisas que precisamos consertar, antes mesmo de tentar fazer mais jogos até certo ponto. Em primeiro lugar, maximizar o potencial dos que temos, porque eles são incríveis. E o formato transmídia vai nos ajudar a fazer isso.”

Gaudechon também fez questão de tranquilizar os fãs sobre a sua longa passagem pela Electronic Arts, garantindo que a essência do estúdio permanecerá intacta:

“Tem havido muita conversa sobre a EA. O que significa ter alguém que passou um tempo na EA? E eu entendo completamente o medo de, ‘ele vai trazer métodos que funcionam para uma empresa enorme e esmagar a alma de um estúdio como a Remedy?’ Mas acho que fui escolhido porque sei exatamente o que a Remedy é. E o que precisa ser protegido, precisa ser apoiado e precisa crescer. A Remedy é única. É um estúdio que tem um impulso criativo incrível. É um estúdio que também tem sido bagunçado aqui ou ali, e essa é a beleza do tipo de jogos que foram feitos e de como foram feitos. O que eu espero trazer para a Remedy é uma visão de onde a empresa pode ir e onde podemos fazer algumas melhorias.”

Ele complementou elogiando a força criativa da equipe atual: “Quem sou eu para mudar o DNA de um estúdio de jogos de sucesso de 30 anos? A Remedy já é uma das maiores autoras de jogos, com produtos autorais muito fortes. Agora, depois de ver por dentro, há muito mais que podemos dar em termos de histórias e jogabilidade superfortes, criativas e malucas. Honestamente, não atingimos metade do potencial em termos dos produtos que fazemos.”

Por fim, o executivo abordou o uso de inteligência artificial generativa na indústria, adotando uma postura bastante cética em relação ao impacto da tecnologia no processo criativo: “Minha posição é que a IA não vai baratear as coisas, e não vai baratear as coisas por um longo tempo”, disse ele. “As pessoas que pensam: ‘Oh, agora podemos fazer jogos mais baratos com isso’, tenho grandes dúvidas sobre isso. E que tipos de jogos, a propósito? Eu disse isso durante a teleconferência de resultados, boa sorte tentando fazer Alan Wake 2 com IA. Tente usar o Genie e faça isso, e veremos onde você vai parar. Mas sempre fomos um estúdio de P&D [Pesquisa e Desenvolvimento]. Estamos sempre nos envolvendo com coisas tecnológicas. Então, não vou impedir as pessoas de fazerem isso. Mas seremos extremamente cautelosos com isso, nunca chegando nem perto do criativo e nem perto da interface com o usuário.”

Atualmente, a Remedy trabalha no desenvolvimento de Control Resonant para PC, PS5 e Xbox Series X/S.

Fonte: Gaming Bolt