A Sony abordou o contínuo aumento nos custos de componentes, afirmando que não pretende vender hardware com prejuízo, mas que está monitorando o mercado.
Durante uma sessão de perguntas e respostas realizada em uma reunião recente focada na divisão de Serviços de Jogos e Rede da empresa, um participante pediu aos executivos da Sony que fornecessem uma atualização sobre o pensamento atual da empresa em relação aos preços de hardware e rentabilidade.
Referindo-se especificamente à “plataforma de próxima geração”, o participante perguntou aos executivos se era “razoável presumir que os seus preços continuarão priorizando a rentabilidade do hardware, como acontece hoje”. A resposta oficial, fornecida pela transcrição da sessão, observou que a empresa considera o seu hardware como uma das partes mais importantes da experiência de jogo e que deseja garantir que os usuários reconheçam o valor oferecido por ele.
A companhia declarou que não planeja vender hardware com prejuízo por uma questão de princípio, mas que atualmente está atenta à situação do mercado:
“Primeiro, consideramos o hardware como a base para fornecer a experiência de jogo e, ao oferecer produtos como o PlayStation Portal Remote Player (PS Portal), pretendemos fornecer experiências adaptadas aos estilos de jogo dos usuários além da sala de estar, que tradicionalmente tem sido considerada o ambiente de uso principal”, respondeu a Sony.
“Quanto aos preços, não é realista para nós absorvermos todos os aumentos de custos de componentes, e já implementamos alguns aumentos de preços fora do Japão. No momento, no entanto, as vendas estão ocorrendo conforme o planejado e não acreditamos que isso tenha levado a um declínio na demanda dos clientes.
Como princípio, não pretendemos vender hardware com perdas significativas. Ao mesmo tempo, estamos monitorando cuidadosamente o mercado e continuando a avaliar nossa abordagem. Acreditamos ser importante fazermos todos os esforços para garantir que os clientes compreendam totalmente o valor que fornecemos em relação aos preços.”
A escassez contínua de RAM e armazenamento – e o drástico aumento nos custos resultante dela – já gerou inúmeros aumentos de preços de hardware não apenas para a Sony, mas também para a Microsoft, Nintendo, Apple e outras. Na semana passada, a Microsoft aumentou novamente o preço dos consoles Xbox, enquanto a Valve anunciou que o preço de sua Steam Machine seria significativamente maior do que o planejado anteriormente.
Historicamente, a Sony já mostrou que não tem aversão a vender com prejuízo quando sente que é necessário. A versão da edição digital do PS5 exclusiva para o Japão, por exemplo, está sendo vendida com prejuízo porque a empresa quer expandir o seu público no país.
No mês passado, o presidente e CEO da Sony, Hiroki Totoki, disse que a empresa ainda não havia decidido quando lançaria o PlayStation 6 ou qual seria o seu preço.
“Ainda não decidimos em que momento lançaremos o novo console, nem a que preços”, disse Totoki no mês passado. “Portanto, gostaríamos de realmente observar e acompanhar a situação.
Olhando para as circunstâncias atuais, a expectativa é que o preço da memória também seja muito alto no ano fiscal de 2027, porque ainda haverá escassez de suprimentos. Então, sob essa premissa, devemos pensar cuidadosamente no que faremos.”
Totoki também observou que o número de usuários ativos nas plataformas PlayStation continua crescendo, “então não é que a demanda tenha caído”, insinuando que a Sony tem tempo para pensar na sua estratégia para a próxima geração.
Analistas reagiram ao preço da Steam Machine na semana passada debatendo o que isso significava para os preços de lançamento do PlayStation 6 e do Project Helix do Xbox, com alguns alertando que poderiam ultrapassar a marca dos quatro dígitos.
Falando ao GamesIndustry.biz, o CEO da Aldora, Joost van Dreunen, disse acreditar que isso é uma certeza:
“Neste ritmo, a próxima geração pode nem ser lançada até 2028 e, quando for, mais de mil dólares será o piso. Até mesmo os dispositivos existentes estão sofrendo reajustes.”
Já o diretor de inteligência de mercado da Newzoo, Manu Rosier, sugeriu que, embora possa haver versões de cada console que custem mais de US$ 1.000, ele acredita que ainda existirá um modelo base custando três dígitos – mesmo que isso signifique US$ 999 – devido ao forte efeito psicológico que um preço de quatro dígitos causa nos consumidores.
Fonte: VGC




