Seis anos após o seu anúncio, a espera finalmente acabou. Pragmata, a mais nova IP de ficção científica da Capcom, passou por diversos adiamentos, mas cada segundo de desenvolvimento valeu a pena. Após concluir a campanha de cerca de 15 horas, fica evidente que este não é apenas mais um lançamento no mercado; é uma obra especial e feita com amor. O jogo consegue resgatar com maestria aquela sensação da época de ouro do PlayStation 2, quando as desenvolvedoras tinham mais coragem para arriscar e inventar conceitos totalmente novos. Sem dúvida, é um dos melhores jogos que joguei nos últimos anos.

A narrativa nos coloca na pele de Hugh, membro de uma equipe de investigação enviada à Lua para checar uma fábrica de impressão 3D. A missão rapidamente sai do controle: sua equipe é aniquilada e, ao tentar fugir de um ataque de robôs, ele acaba sendo salvo por uma garotinha chamada Diana. Logo descobrimos que ela é uma Pragmata, uma espécie de androide com sentimentos reais e capacidades únicas de hackear inimigos para expor pontos fracos e abrir portas. A dinâmica entre os dois é o coração da trama.

Hugh inicialmente se mostra um homem fechado, afirmando não gostar de crianças e preferindo a solidão, mas gradualmente desenvolve um forte espírito paterno. Diana, por sua vez, viveu isolada e desconhece o funcionamento do mundo ou as brincadeiras da Terra, o que rende momentos fofos e genuinamente engraçados. É gratificante ver Hugh caindo nos encantos da garota ao longo da aventura.

diana pragmata
Diana – Captura de Tela

Se a história cativa, a jogabilidade rouba a cena. A Capcom se superou ao criar um sistema de combate extremamente divertido e inovador. Como os robôs inimigos possuem armaduras robustas, o jogador precisa utilizar as habilidades de hackeamento da Diana em um mini-quebra-cabeça em tempo real. Enquanto a parte esquerda do controle movimenta o personagem, os botões da direita guiam uma seta através do sistema inimigo até atingir o núcleo e abrir a defesa. É um sistema fácil de aprender, mas difícil de dominar. A complexidade aumenta conforme você adquire nodos que aplicam debuffs, como paralisar o alvo ou espalhar o hack para todos os inimigos ao redor, tornando a ação rápida e viciante.

Enquanto Diana cuida da invasão de sistemas, Hugh assume o poder de fogo com um arsenal vasto. As armas são divididas em categorias: as primárias (com munição infinita e recarga automática), as de ataque (focadas em dano bruto, como espingardas e mísseis teleguiados), as táticas (para controle de grupo, como derrubar ou aprisionar robôs) e as armas de defesa. O grande diferencial, no entanto, é o gerenciamento de recursos: com exceção do armamento primário, qualquer outra arma é permanentemente perdida assim que sua munição acaba. Essa mecânica traz uma camada extra de tensão e estratégia nos confrontos.

pragmata gameplay
Pragmata – Gameplay

Para acompanhar esse arsenal, o jogo oferece uma variedade de inimigos que surpreende para uma campanha de escopo mais contido. Em vez de reciclar meia dúzia de modelos, Pragmata lança contra o jogador robôs humanoides, torres de artilharia, máquinas invisíveis e inimigos gigantescos, tornando cada combate fantástico. Coroando esses confrontos, a campanha entrega cerca de nove batalhas contra chefes, todas épicas e muito prazerosas de se jogar.

A estrutura do mundo também brilha através de um level design inteligente. Fugindo da exaustão dos mundos abertos, o jogo aposta em setores interligados por um bonde. O jogador tem acesso a um hub central para melhorar armas, visualizar colecionáveis e acessar missões em realidade virtual em troca de itens. Cada setor funciona como uma fase distinta, ostentando identidades visuais fantásticas. O segundo setor, por exemplo, leva o jogador à fábrica da impressora 3D, que simula uma réplica de Nova Iorque corrompida por bugs da IA. Logo em seguida, o contraste bate forte ao entrarmos em um domo terrestre repleto de árvores e plantas.

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Pragmata Nova Iorque – Captura de Tela

A otimização técnica de Pragmata é um feito que deveria ser estudado pela indústria. O visual do jogo é lindo: a fidelidade das texturas, a física aplicada aos fios de cabelo dos personagens e a implementação de iluminação com ray tracing são de última geração. Tudo isso empacotado em um arquivo de absurdos 33 GB. Rodando com tudo no máximo e ray tracing ativado em uma RTX 4070ti, a taxa de quadros se manteve na casa dos 160 FPS durante a maior parte do tempo, entregando uma campanha absurdamente otimizada e sem nenhum bugs.

Para os mais dedicados, terminar o jogo ainda libera a dificuldade difícil, New Game +, roupas cosméticas e um modo inédito que promete alterar regras da jogabilidade

Pragmata é um triunfo absoluto que reacende a magia e a ousadia da era de ouro dos videogames. O casamento perfeito entre a ação frenética de um arsenal rotativo e a resolução de quebra-cabeças em tempo real cria um ritmo de combate excepcional. Muito além da sua otimização técnica quase milagrosa e de seus visuais deslumbrantes, é a doçura da relação entre Hugh e Diana que ancora a jornada, transformando uma aventura de ficção científica sobre máquinas em uma história inesquecível sobre humanidade.

PRAGMATA Keyart
100

Obra-Prima

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