Falar sobre Bubsy na indústria dos videogames é, inevitavelmente, desenterrar piadas de trinta anos atrás sobre mascotes insuportáveis e o desastroso Bubsy 3D. Contra todas as expectativas da história dos jogos, Bubsy 4D surge com a promessa ousada de redimir o lince tagarela, reformulando sua jogabilidade para os padrões modernos pelas mãos de desenvolvedores experientes no gênero de plataforma. O resultado é um título que genuinamente diverte e traz boas ideias de movimentação, mas que peca bastante em termos de duração, estabilidade técnica e acabamento geral.

A trama abraça aquela galhofa espacial clássica dos anos 90, funcionando bem para ditar o ritmo da aventura. Desta vez, as ovelhas que costumavam ser escravizadas pelos Woolies decidiram se rebelar, transformando-se em ciborgues semi-mecha chamados “baabots” e roubando o velocino de ouro do Bubsy. Para resolver a situação, a família do lince rouba um disco voador alienígena, customiza o veículo com um tema de gato e parte em direção ao sistema solar deles para recuperar o que foi roubado.

Eu achei o enredo uma desculpa bem aceitável para dar o pontapé inicial nas fases. Além disso, o humor do Bubsy foi consideravelmente suavizado, deixando ele bem mais tolerável e menos irritante do que em seus outros jogos.

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Bubsy 4D – Captura de Tela

O gameplay é, de longe, a melhor parte do jogo, mas foi também onde encontrei minhas maiores frustrações. O sistema de movimentos é surpreendentemente robusto. O Bubsy pode pular, dar pulo duplo, planar, dar botes e escalar paredes. A mecânica que eu mais gostei foi a forma de bola de pelo, onde ele se esconde e sai rolando em alta velocidade pelas rampas, acumulando impulso. Explorar os cenários para coletar novelos de lã e achar as blueprints escondidas para liberar novas habilidades na nave traz um senso de progressão muito legal.

O grande problema para mim foi a estrutura técnica e a duração do jogo. Eu zerei a campanha inteira em apenas duas horas e meia, o que é extremamente curto para um jogo de plataforma 3D atual. Para piorar, minha gameplay foi interrompida por alguns crashes que fecharam o jogo do nada, quebrando totalmente o meu ritmo. A câmera também costuma falhar em trechos mais rápidos, adotando ângulos bem ruins que dificultam a percepção de espaço e causam mortes bobas.

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Bubsy 4D – Captura de Tela

No aspecto sonoro, o jogo entrega uma trilha sonora animada que combina com a energia do game, mas peca feio na insistência das vozes. O Bubsy sempre foi conhecido por ser tagarela, e eu entendo que isso faz parte da identidade dele, só que o estúdio pesou a mão. Ouvir as mesmas falas e piadas repetidas mais de cinquenta vezes durante as fases cansa a paciência de qualquer um muito rápido. As piadinhas metalinguísticas sobre o Bubsy 3D ter sido horrível toda hora perdem a graça logo na primeira hora de jogatina por causa dessa repetição exaustiva.

Bubsy 4D representa um enorme passo na direção certa para uma franquia que passou décadas no limbo da rejeição. A jogabilidade é inventiva, os mundos são vibrantes e controlar o lince em alta velocidade traz momentos de pura diversão para os órfãos de plataformas tridimensionais. No entanto, os problemas técnicos, as falas repetitivas e a curtíssima duração cobram o seu preço, impedindo que o título alcance voos mais altos.

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Bubsy 4D – Captura de Tela

Visualmente, o jogo me agradou bastante por ser muito colorido, vibrante e com bastante personalidade. A direção de arte é original e os mundos alienígenas são bem verticais e bizarros, criando caminhos de plataforma bem dinâmicos. O problema aqui volta a ser a falta de polimento geral. É impossível não notar que a sincronia labial dos personagens é terrível, com as bocas se mexendo de forma totalmente independente do áudio que estamos ouvindo. Algumas animações do lince nas bordas dos cenários também parecem meio travadas e sem o acabamento o jogo merecia.

No fim das contas, Bubsy 4D conseguiu a proeza de me fazer gostar de um jogo desse mascote tão criticado, entregando um sistema de parkour delicioso e momentos genuinamente divertidos de pura velocidade. O jogo é bom, mas a curtíssima duração de duas horas e meia, as falas massivamente repetitivas e os crashes que enfrentei tiram o brilho do resultado final. É uma redenção divertida, mas que carece de um polimento refinado para se tornar algo maior.

bubsy 4d key art
70

Agradeço imensamente a equipe da Fabraz e Atari por gentilmente ter cedido uma cópia do jogo para produção desta review.