Duskfade, como diz o próprio marketing do game, é “uma carta de amor aos clássicos”. O indie de plataforma e ação 3D, desenvolvido pela Weird Beluga, traz uma experiência nostálgica e contagiante para os jogadores, com uma narrativa surpreendente, apesar de ter um combate repetitivo e exploração um pouco confusa.
Premissa

Em um primeiro momento, você acredita que Duskfade é mais um daqueles jogos que miram o público infantil. Mas por trás da fachada colorida, um evento catastrófico separa os irmãos Zirian e Allira, dando início a uma jornada de descobrimento e, principalmente, de amadurecimento.
Gameplay

Um bom jogo de plataforma precisa ter controles responsivos, e isso o Duskfade entrega com maestria. A movimentação é suave, extremamente satisfatória de realizar pela fluidez dos controles básicos. Correr, pular, deslizar em obstáculos para coletar itens ficaram muito coesos e prazerosos de jogar.
Os trechos de plataforma são desafiadores na medida certa, e as batalhas de bosses são muito bem elaboradas. Tive dificuldades com alguns mesmo jogando no modo normal. No final de cada capítulo, desbloqueamos alguma nova habilidade de travessia: temos um gancho para alcançar lugares altos, um escudo que serve para deslizar em trilhos, além de um planador. Cada uma dessas habilidades é colocada na gameplay em um ritmo excelente, dando uma boa sensação de progressão.
Level Design e Exploração

O level design é, sem dúvidas, um dos pontos altos do jogo. A todo momento você é recompensado por explorar, seja ganhando novas mecânicas ou habilidades, e por conta da gameplay ser tão fluida, isso se torna ainda mais favorável.
O jogo incentiva essa exploração; tudo é bastante visual, os baús e outros colecionáveis são avistados com certa facilidade. Qualquer jogador que explore minimamente conseguirá encontrá-los numa boa.
Direção de arte e Trilha sonora

O jogo possui uma boa diversidade de biomas, marcados por uma direção de arte impressionante, melancólica em um mundo fantasioso repleto de cores vibrantes, com uma estética tanto visual quanto sonora de fábula.
Tudo isso contribui para a atmosfera criada, onde cada cenário reflete um pouco do momento da história.
Narrativa

A narrativa se mostra bastante madura. Apesar do visual do jogo ser infantil, ele aborda assuntos um pouco mais pesados, mas também tem seus momentos de galhofa. Zirian tem um desenvolvimento bacana; no final do jogo se mostra um rapaz bem mais maduro do que foi no início, sabendo lidar com os erros e decisões que poderiam ser diferentes e que, de certa forma, moldaram os acontecimentos dessa história.
O mesmo serve para Allira. É interessante ver o paralelo desses irmãos, a frustração, o medo e como isso afetou a vida deles. Uma coisa que pude notar é que a maioria dos bosses possui nome de algum sentimento, como Tristeza, Agonia e Culpa. Não sei se foi proposital, mas casa perfeitamente com os personagens principais.
Problemas técnicos e pontos fracos
Apesar de tantos elogios, o jogo, sim, tem pontos negativos, e para mim um deles é o combate. Temos uma espada, utilizada para ataques básicos, e um pêndulo para ataques pesados, além de combos entre eles. Também há uma pequena roda de habilidades, na qual se encontram um tipo de mina terrestre, uma barreira protetora e uma magia que invoca mísseis teleguiados.
Apesar dessa variedade, o combate se torna repetitivo rapidamente, principalmente com os inimigos padrão do jogo. Nas boss fights eu não senti esse cansaço, porém faltou mais opções de armas e combos complexos para diminuir essa sensação de repetição.
O jogo também carece de um mapa. A exploração, por mais que seja prazerosa, tem momentos em que fica bastante confusa. Me perdi diversas vezes. A única maneira de se guiar é com um sino, que em alguns mapas eu não consegui encontrar, demorando um pouco mais de tempo para conseguir avançar.
Joguei no PC e o desempenho foi muito estável. Não notei quedas de FPS ou bugs, o que é ótimo. Excelente otimização da equipe da Weird Beluga!
Veredito
Duskfade é quase obrigatório se você gosta e sente saudade de um bom jogo de plataforma, lembrando franquias lendárias como Sly Cooper e Kingdom Hearts. O jogo conta com uma narrativa muito profunda, sabendo lidar com momentos sérios de forma descontraída, dificuldade na medida certa, gameplay cadenciada e precisa, além de belos visuais, surpreendentes para um jogo indie.

MUITO BOM
Pontos Positivos:
- Boss fights desafiadoras
- Controles precisos
- Gameplay fluida
- Direção de arte
- Level Design
- História madura
Pontos Negativos:
- Backtracking cansativo
- Combate repetitivo
- Falta de mapa dificulta a exploração
Agradecemos à Fireshine e à Weird Beluga pelo envio antecipado do jogo para a produção desta análise.



