A EA anunciou na semana passada o fechamento da BioWare, lendário estúdio responsável pelas franquias Mass Effect e Dragon Age. Um novo relatório publicado por Jason Schreier na Bloomberg detalhou os motivos e os bastidores que levaram à drástica decisão da publicadora.
Segundo fontes familiarizadas com a estratégia da empresa, a BioWare foi fechada devido a um alinhamento de pressões financeiras e uma nova oportunidade de negócios. Em agosto de 2026, a EA passou por uma aquisição de US$ 55 bilhões por um fundo de investimento da Arábia Saudita, o que tornou a empresa privada, mas a sobrecarregou com uma dívida de US$ 18 bilhões.
Ao revisar o portfólio para os próximos anos, os executivos se viram diante de dois grandes projetos de ação e ficção científica, cada um projetado para custar centenas de milhões de dólares: Star Wars Battlefront III (uma nova parceria firmada com a Lucasfilm) e o próximo jogo da franquia Mass Effect.
Buscando investimentos mais seguros e previsíveis, a EA optou por focar em Star Wars e encerrou a produção de Mass Effect, fechando a BioWare como consequência. Apesar de Battlefront III sequer ter entrado em fase de desenvolvimento, os executivos avaliaram o projeto como um risco menor para as finanças atuais da empresa.
Além da pressão econômica, o histórico recente do estúdio pesou na decisão. Após o fracasso de crítica de Mass Effect: Andromeda (2017) e o desastre técnico de Anthem (2019), o recém-lançado Dragon Age: The Veilguard (2024) não atingiu o sucesso financeiro esperado.
Segundo a Bloomberg, as vendas do título ficaram 50% abaixo das expectativas, o que já havia levado a EA a transferir grande parte dos funcionários da desenvolvedora para outras divisões em 2025. No momento do fechamento, a BioWare operava com apenas 50 pessoas, a maioria dedicada ao próximo Mass Effect (ainda em pré-produção).

Fatores políticos internos também influenciaram o cenário. Durante o meio do ano, a executiva Laura Miele, uma das principais defensoras da BioWare e de Mass Effect dentro da empresa, foi rebaixada durante uma reestruturação, perdendo força nas negociações de orçamento frente aos veteranos focados em jogos esportivos e jogos como serviço.
Questionada sobre o assunto, a EA limitou-se a informar que a decisão foi tomada após “meses de planejamento, revisão e análise, incluindo a consideração cuidadosa das condições de negócios em evolução e de nossas prioridades a longo prazo”.
Apesar do fim da BioWare, a franquia Mass Effect continuará existindo fora dos jogos: a Electronic Arts confirmou que segue avançando com a produção de uma série de TV baseada no universo do jogo, em parceria com a Amazon.


